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Militares israelenses saqueiam casas no Líbano sob vista grossa de superiores, relatam soldados

Soldados afirmam que os itens são carregados abertamente nos veículos ao deixarem o território libanês, sem qualquer tentativa de ocultação.
Militares israelenses saqueiam casas no Líbano sob vista grossa de superiores, relatam soldadosFadel Itani/NurPhoto / Gettyimages.ru

Soldados e reservistas israelenses estão saqueando residências durante operações no sul do Líbano, revelou uma investigação do jornal Haaretz publicada na quinta-feira (23), citando testemunhos de militares das Forças de Defesa de Israel (IDF).

Os relatos apontam furtos de motocicletas, televisores, quadros, sofás e tapetes, em larga escala, enquanto soldados passam períodos prolongados em áreas civis abandonadas no país desde o lançamento de operações terrestres. 

Após a publicação inicial, o Haaretz teria recebido mais testemunhos descrevendo incidentes similares, incluindo uma fonte que afirmou ter presenciado até furto de barras de ouro.

A prática teria se tornado rotina, com conhecimento e conivência de comandantes, que não repreendem o comportamento ou não adotam medidas disciplinares para coibi-lo. Eles afirmam que os itens são carregados abertamente nos veículos ao deixarem o território libanês, sem qualquer tentativa de ocultação.

"Quando não há punição, a mensagem é óbvia", apontou uma fonte.

A expansão dos saques é parcialmente atribuída à remoção de postos de controle da polícia militar em pontos de saída do sul do Líbano, enquanto outros nunca foram sequer instalados.

Em resposta às denúncias, o chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, ordenou a abertura de investigação pela Polícia Militar sobre os atos de pilhagem e determinou o reforço em todos os pontos de entrada e saída na fronteira, aponta a reportagem.

"Instrumento adicional de controle"

Os soldados enfatizaram que o saque não faz parte de qualquer política oficial das IDF. Contudo, é pontuada a associação do fenômeno aos combates prolongados desde 7 de outubro de 2023 e à relutância em envolver a Divisão de Investigação Criminal da Polícia Militar.

"As pessoas aqui serviram mais de 500 dias nas reservas. Comandantes hoje não podem simplesmente enviar reservistas para a prisão", afirmou um soldado, enfatizando que essas condições levaram à deterioração da disciplina.

Este não é o primeiro episódio de saques envolvendo soldados israelenses, porém. Em 2015, três militares foram indiciados por roubar dinheiro de residências palestinas em Gaza, marcando a primeira acusação formal contra tropas que participaram daquele conflito.

Em 2024, a revista israelense +972 documentou saques generalizados em Gaza, de maneira análoga às atuais ocorrências no Líbano: soldados levavam tapetes, cosméticos, automóveis e outros itens, enquanto comandantes permitiam a prática com mínima contestação. Em 2025, a organização israelense Yesh Din publicou um detalhado relatório com a mesma acusação contra tropas de Israel no território da Cisjordânia, acusando a prática de ser um "instrumento adicional de controle contra palestinos".