Brasil clona primeiro porco para produção de órgãos destinados ao SUS

Projeto da USP aposta em animais geneticamente modificados para suprir demanda por transplantes no Brasil.

Pesquisadores brasileiros conseguiram clonar o primeiro porco da América Latina. A iniciativa busca viabilizar o uso de órgãos animais em transplantes no SUS, informou a Agência FAPESP nesta quinta-feira (23).

O porco foi gerado em laboratório no interior de São Paulo e integra um projeto da Universidade de São Paulo (USP) voltado ao xenotransplante, que consiste no transplante de órgãos animais em humanos.

Para viabilizar o processo, os pesquisadores modificaram o material genético do suíno. Foram desativados genes ligados à rejeição e inseridos genes humanos para aumentar a compatibilidade com o organismo do receptor.

O filhote nasceu saudável, com 1,7 kg, após gestação de cerca de quatro meses. O grupo também mantém outras gestações em andamento, indicando continuidade do projeto.

Aplicação no sistema de saúde

Os suínos foram escolhidos por apresentarem órgãos com tamanho e funcionamento semelhantes aos humanos, além de crescimento rápido. Em cerca de sete meses, já atingem peso compatível para transplantes.

A etapa inicial foca na produção de rins, coração, córneas e pele, que concentram a maior parte da demanda por transplantes no país. O Sistema Único de Saúde (SUS) responde por até 96% desses procedimentos no Brasil.

A proposta é criar um plantel de animais modificados para reprodução contínua, ampliando a oferta de órgãos e reduzindo a dependência de doadores humanos.