Uma manifestação de proporções históricas reuniu cerca de 40 mil trabalhadores da Samsung Electronics no sul de Seul na quinta-feira (23), informou o jornal sul-coreano Chosun.
O protesto marca um momento de tensão sem precedentes na empresa, que enfrenta uma possível greve de 18 dias a partir de 21 de maio caso suas reivindicações de remuneração não sejam atendidas.
Uma paralisação prolongada pode resultar em atrasos nas entregas, alta nos preços de semicondutores e vantagem competitiva para os rivais.
Ponto de discórdia
O principal ponto de discórdia é a disparidade nos bônus pagos em relação à concorrente SK Hynix. Os funcionários da Samsung se sentem desvalorizados, apesar dos lucros recordes da companhia no setor, que registrou no primeiro trimestre de 2026 o melhor resultado da história corporativa sul-coreana.
A SK Hynix consolidou sua liderança no fornecimento de memórias de banda larga (HBM) para a Nvidia, impulsionada pelo mercado de inteligência artificial (IA).
Esse cenário tem gerado uma fuga de talentos para a concorrência, com profissionais migrando para a SK Hynix em busca de melhores compensações.
O sindicato dos trabalhadores da Samsung Electronics — cuja adesão agora supera 70% da mão-de-obra da empresa, com mais de 90 mil membros —, citado pelo jornal britânico Reuters, argumenta que um funcionário da divisão de chips com um salário base de 76 milhões de won (cerca de R$ 258 mil) anuais receberia 38 milhões de won como bônus em 2025. O valor representa menos de um terço doque um funcionário da SK Hynix com salário semelhante receberia.
As paralisações na produção causadas por "mesmo uma única greve" podem prejudicar a confiança dos clientes e levar anos para serem superadas, revelou um funcionário da Samsung, falando sob condição de anonimato.