Departamento de Segurança Interna dos EUA vive situação de penúria; falta até material de escritório

Funcionários relatam escassez de produtos básicos e atrasos salariais; impactos atingem segurança, tecnologia e resposta a desastres.

O Departamento de Segurança Interna (o "Homeland Security") dos Estados Unidos está sofrendo com impactos operacionais e financeiros após 68 dias de paralisação parcial do governo, com reflexos em áreas como segurança aeroportuária, resposta a desastres e cibersegurança, informou a emissora americana CBS News.

A interrupção no financiamento compromete o funcionamento de uma das maiores agências federais, com cerca de 260 mil funcionários. Relatos indicam escassez de materiais básicos de escritório, suspensão de contratos e improvisações para manter atividades essenciais.

Sem orçamento regular, fornecedores passaram a operar sem garantia de pagamento. Internamente, a falta de insumos e serviços afeta a rotina e a capacidade operacional.

O impacto financeiro também atinge servidores. Cartões de viagem do governo acumulam atrasos superiores a 60 dias, e funcionários relatam prejuízos no crédito pessoal. Parte dos agentes chegou a custear despesas do próprio bolso, sem reembolso.

Segurança e serviços afetados

Na Administração de Segurança no Transporte (TSA), mais de 780 agentes deixaram seus cargos durante a paralisação. A evasão pressiona um quadro de cerca de 50 mil trabalhadores e pode afetar a operação em aeroportos.

A agência também suspendeu investimentos em novas tecnologias de triagem, o que levanta preocupações sobre a capacidade de atender à demanda de eventos futuros, como grandes viagens e eventos internacionais.

Na área de emergências, a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) opera com recursos limitados. O fundo de desastres soma cerca de US$ 3,4 bilhões, próximo do nível que restringe gastos apenas a ações imediatas de salvamento.

Treinamentos de cerca de 45 mil profissionais foram suspensos, e repasses a estados e instituições seguem atrasados.

Capacidade reduzida e riscos

Outros setores também registram queda de capacidade. A agência de cibersegurança opera com cerca de 40% da força de trabalho, reduzindo ações preventivas. Já a Guarda Costeira acumula contas não pagas e atrasos em certificações essenciais para o setor marítimo.

No campo político, o impasse no Congresso mantém a paralisação sem solução imediata. Enquanto áreas ligadas à imigração seguem com financiamento específico, outras divisões absorvem os efeitos mais amplos da falta de recursos.

Funcionários relatam impactos prolongados na moral e no funcionamento da estrutura, com riscos acumulados para operações de segurança e resposta a emergências.