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Bukele compara sua política anti-gangues aos julgamentos de Nuremberg

O processo ocorre no momento em que o país completa quatro anos de estado de emergência, decretado no âmbito da guerra contra as gangues promovida pelo presidente Nayib Bukele.
Bukele compara sua política anti-gangues aos julgamentos de NurembergX / FGR_SV

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, comparou no X nesta quinta-feira (23) sua política de julgamento em massa de membros de gangues aos processos de Nuremberg, em resposta às críticas do ex-diretor da Human Rights Watch, Kenneth Roth.

Bukele defendeu o processo judicial contra 486 supostos membros da gangue Mara Salvatrucha (MS-13), ressaltando que não são "delinquentes menores", mas líderes responsáveis por dezenas de milhares de crimes, incluindo assassinatos, sequestros e estupros.

"O único aspecto 'inovador' é responsabilizar os chefes pelos crimes cometidos por suas organizações", declarou o presidente, invocando o princípio da "responsabilidade de comando", que, segundo ele, foi aplicado na Europa após a Segunda Guerra Mundial.

Julgamento em massa e questionamentos

O presidente reagiu assim aos comentários de Roth, que classificou o processo como um "julgamento coletivo lamentavelmente injusto", referindo-se ao caso que teve início na terça-feira (21) nos tribunais salvadorenhos contra os quase 500 acusados ligados à MS-13.

O julgamento reúne acusações por mais de 47 mil crimes cometidos entre 2012 e 2022, no âmbito de um estado de emergência em vigor desde 2022 que permitiu a detenção de mais de 91 mil pessoas.

Organizações de direitos humanos alertam que esse tipo de processo em massa poderia violar garantias básicas, como o acesso à defesa legal.