EUA negam pressão sobre o Peru para compra de caças

Apesar da suspensão anunciada pelo presidente José María Balcázar, a Força Aérea do Peru assinou na segunda-feira (20) o contrato para compra de aeronaves modelo F-16.

O embaixador dos EUA no Peru, Bernie Navarro, negou nesta quarta-feira (22) que Washington tenha exercido pressão sobre o país sul-americano na controversa compra de caças F-16 para as Forças Armadas peruanas.

"Os Estados Unidos nunca e jamais exerceriam pressão sobre um país, nem interfeririam em seu processo interno ou em sua autodeterminação. Este é um processo em que tudo está à luz pública", declarou Navarro ao jornal local Exitosa.

Em entrevista por telefone, o diplomata afirmou que a negociação foi a "melhor compra" para o Peru, com cerca de 12 aeronaves que chegarão entre 2029 e 2030. Além disso, o acordo autoriza um "pacote de investimentos", que deve gerar "empregos e desenvolvimento na indústria aeroespacial", apontou.

"Os peruanos serão capacitados a longo prazo em manutenção e engenharia das aeronaves, e terão controle pleno de sua frota", declarou Navarro.

Presidente já havia anunciado suspensão da compra

O presidente interino do Peru, José María Balcázar, anunciou a suspensão da compra no mesmo dia em que estava prevista a assinatura do contrato com a empresa fabricante, a americana Lockheed Martin. No entanto, nesta segunda-feira (20), a Força Aérea do Peru concretizou a assinatura.

Após Balcázar defender uma pausa para que o próximo governo tomasse uma decisão a respeito, Navarro se pronunciou na rede X, deixando implícito que poderia haver represálias contra Lima por negociar "de má-fé".

Questionado sobre essa mensagem, Navarro respondeu que não houve "nenhuma ameaça". "Lembre-se de que meu trabalho como embaixador é trazer investimento, e quando todo o trabalho já foi feito, deixamos a noiva no altar, isso é muito ruim. Acho que isso cria um mau precedente para o país se não cumprirmos o que estamos fazendo", acrescentou.