Uma influenciadora digital alinhada ao movimento MAGA, que viralizou com fotos sensuais e mensagens políticas, era na verdade gerenciada por um estudante de medicina na Índia. Ele utilizou inteligência artificial para atrair engajamento e lucrar até o perfil ser removido em fevereiro, conforme revelou a revista Wired na terça-feira (21).
A personagem foi criada após o estudante testar diversas formas de ganhar dinheiro na internet, recorrendo a ferramentas de IA para encontrar um nicho mais rentável. A estratégia foi direcionar o conteúdo ao público do movimento MAGA, nos Estados Unidos, focando em mensagens de forte apelo ideológico e conservador.
Nas postagens, a influenciadora artificial aparecia em cenários da cultura americana, como pescarias no gelo e estandes de tiro. Quase sempre de biquíni, ela posava com armas ou símbolos patrióticos, acompanhados de frases contra a imigração, o aborto e posições liberais, em um formato que unia exposição visual e provocação política.
O conteúdo alcançou milhões de visualizações impulsionado por algoritmos que favorecem publicações polarizadoras. Esse alcance permitiu que o criador migrasse parte do público para plataformas de assinaturas pagas com conteúdo mais sensual, gerando uma renda mensal de milhares de dólares com pouco tempo de dedicação.
Apesar das diretrizes que exigem a identificação de conteúdos gerados por IA, a fiscalização ainda é limitada. O perfil acabou banido por atividade considerada fraudulenta, mas o modelo de negócio continua sendo replicado por outras contas nas redes sociais.