Com problemas de recrutamento, Alemanha discute ampliar idade máxima de reservistas para 70 anos

Proposta busca fortalecer capacidade de defesa e integrar experiência de militares mais velhos às forças armadas do país.

A Alemanha discute mudanças na política de reservistas das Forças Armadas. O novo chefe da Associação de Reservistas, Bastian Ernst, defendeu nesta quarta-feira (22) o aumento da idade máxima de serviço de 65 para 70 anos, como parte das medidas para ampliar a capacidade de defesa do país até 2035.

Em entrevista ao MDR AKTUELL, Ernst afirmou que a população permanece ativa por mais tempo e que "muitos querem contribuir para a defesa nacional mesmo após os 65 anos". Segundo ele, a proposta não prevê atuação em combate direto, mas o aproveitamento da experiência em áreas como saúde, administração e comando.

De acordo com Ernst, o objetivo é fortalecer o contingente de reservistas diante das dificuldades de recrutamento. Ele também questionou a regra atual que exige autorização dos empregadores para a participação em exercícios militares regulares.

Na avaliação do dirigente, a obrigatoriedade do consentimento dos empregadores deveria ser suspensa para treinamentos anuais de cerca de duas semanas. A participação dos próprios reservistas, porém, continuaria voluntária.

Expansão das forças

Ernst defendeu que as propostas integrem um "conceito abrangente de defesa dos reservistas", acompanhado de planejamento detalhado do Ministério da Defesa, incluindo questões de equipamentos e materiais.

Segundo ele, não há número preciso de reservistas ativos. Estima-se que entre oito e nove milhões de pessoas já tenham servido na Bundeswehr, enquanto cerca de 60 mil reservistas estão oficialmente designados e disponíveis rapidamente. A associação reúne aproximadamente 110 mil membros.

O governo alemão planeja ampliar as Forças Armadas até 2035 para pelo menos 260 mil militares ativos e 200 mil reservistas, contingente que deve ser reforçado por participantes do novo modelo de serviço militar, cuja base legal entrou em vigor no início deste ano.