A deterioração da situação econômica na meia-idade e na terceira idade está associada a perda de memória e maior risco de demência, revelou uma pesquisa da Escola de Saúde Pública Mailman, da Universidade de Columbia (EUA) publicada em 16 de março no American Journal of Epidemiology.
O estudo analisou dados de 7.676 pessoas com mais de 50 anos entre 2010 e 2020. Os pesquisadores desenvolveram um índice de oito pontos para medir o bem-estar financeiro, considerando desde capacidade de pagar contas até nível de estresse com a situação econômica.
O resultado mostra que cada diminuição de um ponto no índice foi acompanhada de piores pontuações em testes de memória e um declínio cognitivo mais acelerado.
Pessoas que sofreram deterioração significativa da situação financeira perderam memória equivalente a cerca de cinco meses adicionais de envelhecimento por ano.
Os maiores de 65 anos foram os mais afetados, devido à dependência de rendas fixas como pensões e seguridade social e às limitadas opções de recuperação financeira. O estresse crônico, o acesso reduzido à saúde e à nutrição e a menor participação social explicam parte do fenômeno.
Perda irreversível
O estudo revelou ainda que, enquanto perder dinheiro prejudica o cérebro, ganhá-lo não reverte de forma consistente o dano cognitivo prévio.
Isso sugere que prevenir o declínio financeiro é mais importante para a saúde cerebral do que buscar riqueza na velhice.
Estresse da meia-idade
Outro estudo, conduzido por cientistas europeus com adultos de 40 a 60 anos, acompanhou finlandeses por 21 anos. Aqueles que enfrentaram estresse financeiro constante na meia-idade tiveram maior probabilidade de apresentar desempenho cognitivo mais baixo (incluindo demência) e limitações físicas mais severas na velhice.
O estresse financeiro levou a mais tabagismo, pior qualidade do sono (especialmente entre mulheres) e maior consumo de álcool.
Infância como fator determinante
Uma pesquisa de 2025 no Paquistão avaliou seis dimensões (educação, saúde, condições de vida, acesso a serviços, bem-estar psicológico e qualidade de vida) e concluiu que 40,4% dos adultos com demência viviam em privação em quatro ou mais áreas, contra apenas 8,9% das pessoas sem demência.
Os autores defendem que melhorar o acesso à educação gratuita de qualidade, saúde, moradia e emprego desde a infância pode reduzir o risco coletivo de demência.
Ricos são mais inteligentes?
Neurocientistas do MIT e Harvard mostraram que crianças de famílias ricas têm córtex mais espesso nas regiões parietal e temporal – áreas ligadas à percepção visual, processos de pensamento e memória de longo prazo –, correlacionadas a melhor desempenho acadêmico.
A diferença cerebral começa quando a renda familiar supera outros lares em 44%. Acredita-se que fatores ambientais sejam os principais responsáveis.