
Estimativas oficiais escondem verdadeiros custos bilionários da guerra dos EUA contra o Irã

Os gastos dos Estados Unidos já ultrapassam US$ 58,4 bilhões (cerca de R$ 292,6 bilhões) em 53 dias do início da campanha militar contra o Irã nesta quarta-feira (22), aponta a plataforma de monitoramento Iran Cost Tracker.
A plataforma descreve uma metodologia rigorosa para estimar os custos da Operação Epic Fury, combinando dados oficiais do Pentágono com um modelo independente de estimativa ascendente. O rastreador principal utiliza o valor divulgado pelo Pentágono ao Congresso de US$ 11,3 bilhões (cerca de R$ 56,6 bilhões) pelos primeiros seis dias de conflito, somado a uma taxa contínua de US$ 1 bilhão por dia, seguindo uma estimativa preliminar reportada em 4 de março pela jornalista do Wall Street Journal, Nancy Youssef.

Custos podem ser muito maiores
Entretanto, diversas fontes sugerem que a estimativa é conservadora. O senador democrata Chris Coons observou que essa cifra divulgada pelo Pentágono subestima custos reais ao excluir despesas de preparação e reposição de munições.
Jennifer Kavanagh, da organização Defense Priorities, estimou ao jornal The New York Times que somente os sistemas de defesa aérea custaram mais de US$ 10 bilhões nas primeiras 48 horas, superando em cinco vezes a taxa diária declarada. Essa discrepância sugere que a cifra de US$ 1 bilhão poderia refletir exclusivamente custos operacionais ofensivos, excluindo as despesas defensivas em interceptação de mísseis e drones.
"Dinheiro é necessário para matar vilões", apontou o secretário da Guerra, Pete Hegseth, em uma coletiva de imprensa em 19 de março, quando contestado sobre pedidos orçamentários do governo Trump ao congresso americano. O próprio presidente dos EUA, por sua vez, declarou que os custos da alta do petróleo provocados pela agressão militar representam "um preço muito pequeno a pagar" para atingir seus objetivos militares contra o Irã.
