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China reage à decisão do Japão de permitir exportação de armas letais

O passo da primeira-ministra Sanae Takaichi é visto pela imprensa internacional como "a maior mudança na política pacífica" do Japão desde a Segunda Guerra Mundial.
China reage à decisão do Japão de permitir exportação de armas letaisGettyimages.ru / picture alliance / Contributor // Anadolu / Contributor

A China acompanha "com séria preocupação" a decisão do governo japonês de suspender as restrições à exportação de produtos nacionais de defesa, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Guo Jiakun, em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (21).

"As recentes e perigosas manobras do Japão nas áreas militar e de segurança destruíram a imagem que ele próprio se autoproclamava de 'nação pacífica' e 'exclusivamente defensiva'", afirmou o porta-voz.

A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, anunciou mais cedo nesta terça a alteração legislativa que permite que o país venda equipamentos internacionalmente. "Até agora, a transferência ao exterior de produtos acabados de fabricação nacional tinha se limitado à busca e resgate, transporte, vigilância e contra minas (...) mas, com esta emenda, as transferências de qualquer equipamento de defesa serão, em princípio, possíveis", publicou a premiê em rede social.

maior mudança na política pacífica

O passo é visto pela imprensa internacional como "a maior mudança na política pacífica" do Japão desde a Segunda Guerra Mundial. A postura anterior de restrição total havia sido instituída em 1976, sendo flexibilizada em 2014 pelo governo de Shinzo Abe, que passou a aplicar uma política de bloqueio a determinados países e permissão de transferências limitadas de equipamentos sob garantias de aplicação da tecnologia.

O porta-voz chinês destacou que "muitos especialistas e acadêmicos" temem que o Japão "volte a colocar em marcha sua máquina de guerra e exporte a guerra para o exterior", apontando a remilitarização do país como um fato incontestável.

"A comunidade internacional, incluindo a China, permanecerá em estado de alerta máximo e resistirá resolutamente às ações imprudentes do Japão rumo a um 'militarismo de novo tipo'", concluiu Guo.