Delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem é ordenado a deixar EUA - imprensa

Governo Trump acusa oficial brasileiro de ter manipulado sistema migratório americano para "estender perseguições políticas" no território dos EUA.

O governo do presidente Donald Trump solicitou que um oficial brasileiro deixasse os Estados Unidos, sob acusação de ter manipulado o sistema migratório do país para conduzir "perseguições políticas". O anúncio foi feito nesta segunda-feira (20) pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental na rede social X.

Segundo apuração do g1, que entrou em contato com a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, trata-se de um delegado da Polícia Federal envolvido na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que foi detido durante dois dias no estado da Flórida.

Ramagem permaneceu dois dias em um centro de detenção em Orlando, sendo liberado na quarta-feira (15). Antes da soltura, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a prisão foi "fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado". À época, Andrei explicou que o político é "cidadão foragido da Justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular".

Após deixar o centro de detenção, Ramagem afirmou que sua situação é "absolutamente" regular e que ele não está se escondendo nos Estados Unidos. Ele alega que entrou no país com visto válido e solicitou asilo dentro dos procedimentos legais, o que garantiria sua situação regular.

"Meu endereço é conhecido da administração pública americana e também das contratações privadas de serviços", declarou nas imagens, divulgadas na quinta-feira (16). "Minhas filhas estão regularmente matriculadas e cursando escola pública na Flórida".

O político, que já ocupou o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, deixou o Brasil e deu entrada no pedido de asilo nos EUA após condenação expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

Nas redes sociais, o parlamentar classifica como "farsa" as acusações que levaram à sua condenação por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, além de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, que têm relação com sua participação na mentoria e idealização dos atos de 8 de janeiro de 2023.