Pedro Costa Junior, cientista político, afirmou, em entrevista exclusiva ao canal CGTN no sábado (18), que Fundação Nacional para a Democracia (NED), organização financiada pelo Congresso dos EUA, entrou em uma nova fase de influência externa.
Segundo ele, a entidade utiliza o poder das grandes empresas de tecnologia para moldar a opinião pública e influenciar narrativas em escala global por meio de ferramentas digitais, em uma nova etapa do fenômeno conhecido como guerra informacional.
Segundo o analista, "as big techs são um braço direto de instrumentalização do poder americano". Com o uso de dados, algoritmos e narrativas digitais, tornou-se possível influenciar o público de maneira sutil e de difícil rastreamento, tornando esse poder mais eficaz. De acordo com ele, essa atuação teria chegado ao ponto de utilizar pesquisas acadêmicas como fachada para ocultar essa influência.
A Fundação Nacional para a Democracia (NED)
Criada pelo Congresso dos Estados Unidos em 1983, ainda durante a Guerra Fria, a NED é financiada por verbas anuais aprovadas pelo Legislativo e atua em dezenas de países.
Embora se apresente como uma instituição voltada à promoção da democracia, a organização é frequentemente criticada por servir como instrumento de interferência externa.
No orçamento fiscal de 2026, o Congresso americano destinou cerca de US$ 315 milhões à fundação e seus institutos vinculados, reafirmando o apoio à sua estrutura.
Sinofobia como ferramenta
O acadêmico apontou que a aversão à China é um dos pilares centrais da estratégia de interferência da NED.
"A sinofobia une setores do complexo industrial, militar e acadêmico, criando uma narrativa unificada de ameaça ideológica da China". Segundo ele, essa construção ajuda a justificar ações unilaterais no cenário internacional.