Crise de Ormuz impulsiona megaprojeto de país asiático para contornar estreitos marítimos

Plano prevê ligação terrestre entre dois oceanos com portos e ferrovia. Governo estima custo de US$ 31,2 bilhões e até 200 mil empregos.

A instabilidade no transporte marítimo no estreito de Ormuz levou a Tailândia a retomar o projeto "Land Bridge", que prevê a criação de um corredor logístico entre os oceanos Índico e Pacífico, informou a imprensa tailandesa na segunda-feira (20).

O plano foi confirmado pelo vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes, Phiphat Ratchakitprakarn.

"O conflito no Oriente Médio demonstrou a vantagem de controlar uma rota de transporte. A Tailândia terá uma grande vantagem ao controlar a ligação entre o oceano Pacífico e o oceano Índico", disse.

O projeto prevê investimento de cerca de 1 trilhão de baht, equivalente a aproximadamente R$ 155 bilhões. A estimativa do governo indica a criação de cerca de 200 mil empregos diretos.

Segundo o ministro, o Executivo pretende atrair capital privado e investidores estrangeiros, especialmente dos Emirados Árabes Unidos. A pasta também acelera a revisão do marco legal para submeter a proposta ao Conselho de Ministros no próximo ciclo orçamentário.

Estrutura do projeto

A iniciativa inclui a construção de dois portos: um em Ranong, no litoral do oceano Índico, e outro em Chumphon, voltado ao golfo da Tailândia.

As estruturas serão conectadas por um corredor logístico de aproximadamente 90 quilômetros. O trajeto deve integrar rodovia, ferrovia de via dupla e oleodutos para transporte de petróleo e gás.

Diferentemente de um canal interoceânico, o modelo prevê descarregamentos em um porto, transporte terrestre em poucas horas e reembarque no outro lado, reduzindo o tempo total de viagem.

Impacto no comércio global

O projeto surge como alternativa ao estreito de Malaca, principal rota marítima entre os oceanos Índico e Pacífico.

A via concentra cerca de 82 mil embarcações por ano e responde por mais de 40% do comércio global. Também transporta aproximadamente 80% do petróleo importado pela China, além de volumes relevantes destinados ao Japão, Coreia do Sul e Taiwan.

A região apresenta vulnerabilidades por seu formato geográfico. O ponto mais estreito, o canal de Phillips, tem cerca de 2,8 quilômetros de largura, o que aumenta o risco de interrupções em caso de acidentes ou ataques.