O ex-presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, criticou a atuação da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmando que houve concentração de poder na instituição, divulgou a imprensa belga nesta segunda-feira (20).
Michel, em declarações ao jornal The Brussels Times, relatou dificuldades sem precedentes para estabelecer cooperação profissional com a dirigente europeia. Segundo ele, tentativas de promover reuniões presenciais para alinhar posições da União Europeia em temas internacionais foram "sistematicamente recusadas" por Von der Leyen.
"Posso lhe dizer: nunca no passado enfrentei esse nível de dificuldade em termos de colaboração com um colega. Nunca. Não se trata de personalidade. Trata-se da essência do projeto europeu", afirmou.
Ao avaliar o modelo de liderança implementado, Michel caracterizou a gestão como "governança superautoritária", acrescentando que "os comissários já não têm nenhum papel" no funcionamento interno da Comissão. O ex-presidente avalia que Von der Leyen comanda de forma quase autocrática, tomando decisões isoladamente com um pequeno grupo de assessores, majoritariamente alemães, desconsiderando deliberações do Parlamento Europeu.
« COMO VON DER LEYEN USURPOU O PODER NA EUROPA? SAIBA MAIS EM NOSSO ARTIGO »
Sua avaliação é reforçada por episódios como a compra de vacinas durante a pandemia e a adoção de sanções contra a Rússia, nos quais políticos europeus foram "deixados de lado" e lhe renderam o apelido de "Rainha Ursula".
Instalado atualmente em um escritório com vista privilegiada para a sede do Conselho Europeu em Bruxelas, Michel mantém postura crítica sobre oportunidades perdidas pela União Europeia no cenário internacional.
A Presidência, segundo ele, "deveria trabalhar na defesa do mercado único. Nada foi feito. Deveria trabalhar nos mercados financeiros. Nada foi feito", afirmou. "Nesse campo, o resultado é zero, e isso é uma tragédia", lamentou.