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USA Rare Earth adquire mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bilhões

Negócio bilionário entre as empresas promete criar um gigante global de terras raras com foco em atender às demandas estratégicas dos aliados ocidentais.
USA Rare Earth adquire mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bilhõesImagem gerada por IA

A empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou, nesta segunda-feira (20), a assinatura de um acordo definitivo para adquirir a mineradora brasileira Serra Verde Group. Avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões (R$ 14,56 bilhões), a operação ainda depende de aprovações regulatórias e ocorre em meio a esforços dos Estados Unidos para ampliar sua presença no mercado global de terras raras.

A empresa com sede em Oklahoma, nos Estados Unidos, informou em nota que serão pagos pela transação US$ 300 milhões (R$ 1,56 bilhão) em dinheiro e US$ 126,9 milhões (R$ 659,88 milhões) em novas ações. O negócio ainda precisa ser aprovado pelos órgãos reguladores e deve ser concluído no terceiro trimestre de 2026.

"A aquisição da Serra Verde representa um passo transformador para nossas ambições de construir um campeão global e a primeira opção em metais raros", afirmou a CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton. "A Mina de Pela Ema da Serra Verde é um ativo único. É a única produtora fora da Ásia capaz de fornecer todas as quatro terras raras magnéticas em escala".

Brasil: peça-chave em plano mais amplo

O Brasil é considerado peça importante nos planos do governo de Donald Trump para reduzir a influência da China sobre o mercado global de minerais críticos. Em fevereiro deste ano, o país foi convidado a integrar uma coalizão voltada ao fornecimento, à mineração e ao refino desses materiais.

O acordo proposto, no entanto, é visto com cautela por integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação deles, determinadas cláusulas podem, na prática, favorecer investidores norte-americanos.

Além disso, há receio de tratamento desigual: o convite à Austrália para integrar a coalizão prevê investimentos mínimos bilionários e consultas ministeriais periódicas — dois pontos que não estão presentes no caso brasileiro.