
Aliado de Trump na OTAN questiona legalidade de possível intervenção em Cuba

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, rejeitou nesta segunda-feira (20) as ameaças dos EUA sobre uma possível intervenção em Cuba, durante visita do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
"Não existe absolutamente nenhuma base clara para uma intervenção em Cuba", declarou Merz ao final de uma entrevista coletiva com Lula na cidade de Hannover.
Merz afirmou que, apesar dos problemas internos da ilha, "não existe nenhuma ameaça discernível para terceiros Estados fora de Cuba". Pontualmente, "no caso dos Estados Unidos da América, não há nenhum motivo para uma ação deste tipo", sustentou.

"Só posso aconselhar urgentemente que, se existem conflitos, se existem esforços pela mudança, inclusive no que diz respeito à liberdade de circulação, fronteiras abertas e direitos humanos, este caminho deve ser seguido por meios diplomáticos e pacíficos, e não iniciando desnecessariamente um novo conflito no mundo, o que apenas criaria mais problemas", disse.
Minutos antes, Lula se expressou na mesma linha. "Sou contra a falta de respeito à integridade territorial das nações. Eu sou contra qualquer país do mundo se meter a ter ingerência política sobre como uma sociedade deve se organizar ou não", disparou.
As ameaças de Trump a Cuba
- Após a agressão militar dos EUA contra a Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, Donald Trump fez declarações ameaçando aumentar a pressão sobre Cuba.
- O presidente americano afirmou que "entrar e destruir" Cuba poderia ser a única opção restante para forçar uma mudança.
- As ameaças ocorrem em meio ao bloqueio econômico e comercial que os EUA mantêm sobre Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi reforçado com novas medidas coercitivas e unilaterais da Casa Branca.
- "Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos diz o que fazer. Cuba não agride; é agredida pelos EUA há 66 anos e não ameaça, apenas se prepara, pronta para defender a pátria até a última gota de sangue", declarou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel.
