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'Israel nunca me convenceu a entrar em guerra contra Irã', diz Trump

Acusado por ex-funcionários de seu governo e adversários democratas, o presidente dos EUA reafirmou que a decisão partiu de outras convicções.
'Israel nunca me convenceu a entrar em guerra contra Irã', diz TrumpAlex Wong / Gettyimages.ru

O presidente dos EUA, Donald Trump, negou nesta segunda-feira (20) ter sido influenciado por Israel a entrar em guerra contra o Irã, em publicação na rede Truth Social.

De acordo com o presidente, a decisão decorreu dos eventos de 7 de outubro de 2023 e de sua "opinião de longa data" de que o Irã jamais deveria possuir armas nucleares.

A declaração ocorre em contexto de crescente desaprovação popular, demonstrada em pesquisa da mídia americana NBC News, publicada no domingo (19). O levantamento indica que dois terços dos americanos reprovam a condução presidencial do conflito. Trump afirmou que "pesquisas são fraudadas, assim como a eleição presidencial de 2020", em um contexto de crítica a "notícias falsas". 

Apesar da ausência de evidências públicas vinculando o Irã ao ataque do grupo palestino Hamas a Israel em 2023, e do testemunho da própria chefe de inteligência de Trump, Tulsi Gabbard, afirmando que o Irã não estava construindo armas nucleares, o presidente mantém sua postura.

"E se os novos líderes do Irã (mudança de regime!) forem inteligentes, o Irã poderá ter um futuro grandioso e próspero!", concluiu Trump, comparando o horizonte iraniano às mudanças na Venezuela, após o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores, em 3 de janeiro deste ano.

Negociadores americanos estão a caminho do Paquistão para uma nova rodada de negociações às vésperas do prazo do último cessar-fogo, embora o Irã ainda não tenha confirmado sua participação no processo.

Troca de acusações

Kamala Harris, adversária democrata de Trump nas eleições de 2024, promoveu a tese rebatida pelo presidente, durante um evento no estado americano de Michigan, no sábado (18). Kamala o acusou de ter sido "arrastado" para a guerra por Benjamin Netanyahu em uma tentativa de desviar atenção dos arquivos de Epstein, classificando o conflito como algo que "o povo americano não deseja".

Similarmente, o ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, Joe Kent, reafirmou repetidas vezes à imprensa que a política externa americana para o Oriente Médio é definida por Israel. "Foram os israelenses que conduziram essa ação, que sabíamos que desencadearia uma série de eventos", apontou Kent, que renunciou em meados de março ao denunciar a pressão israelense na atual campanha militar.

Netanyahu rebateu igualmente as acusações de ter manipulado Trump, questionando se alguém realmente acreditaria que "pode dizer ao presidente Trump o que fazer". Segundo declarações citadas pelo jornal Times of Israel no domingo (19), o premiê enfatizou que Trump "sempre toma decisões com base no que considera bom para a América", destacando coordenação estreita entre serviços militares e de inteligência de ambos os países.