O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou neste domingo (19) que decidiu apresentar uma ação penal contra o presidente do Equador, Daniel Noboa, após declarações que classificou como caluniosas.
Em publicação nas redes sociais, o mandatário colombiano relatou que esteve em Manta no dia da posse de Noboa e afirmou que recebeu proteção das Forças Armadas equatorianas durante a visita. Segundo Petro, a medida ocorreu por determinação do próprio presidente equatoriano.
"O próprio Noboa deu a ordem, como deve ser, para que o Exército equatoriano, em todo momento, dia e noite, cuidasse de mim em Manta", escreveu.
Petro também declarou que foi tratado com distanciamento por Noboa após pedir a libertação de Jorge Glas, ex-vice-presidente do Equador e cidadão colombiano, segundo a publicação.
"Jorge Glas é mantido em condições de extrema desnutrição e solicitei a Noboa que ele nos seja entregue à Colômbia", afirmou.
Ainda segundo o presidente colombiano, além da escolta equatoriana, agentes da força pública da Colômbia o acompanharam durante a viagem e poderiam testemunhar sobre sua permanência no local.
Petro rejeitou suspeitas relacionadas à ida a Manta e descreveu a cidade como destino turístico. Também afirmou que jornalistas colombianos estiveram no imóvel onde ficou hospedado.
"Ao lugar onde estive chegou a imprensa colombiana e não encontrou luxo nem extravagâncias, nem condomínio excêntrico, apenas uma cabana de madeira que foi um bom lugar para olhar o mar", publicou.
Na mesma mensagem, o presidente colombiano declarou que divulgará uma lista de cidadãos equatorianos extraditados por seu governo a diferentes países e capturados na Colômbia.
Petro também acusou uma "oficina estrangeira no Equador e na Colômbia" e setores da oposição colombiana ligados ao ex-presidente Álvaro Uribe de atuarem contra ele.
Segundo a publicação, essas ações incluiriam contatos com o senador norte-americano Marco Rubio e grupos políticos na Flórida.
Acusações de Noboa
As declarações de Petro surgiram depois de o presidente equatoriano ter afirmado, no dia anterior, que o seu homólogo colombiano se reuniu, durante a sua visita a Manta, com "membros da Revolução Cidadã, e alguns desses membros têm ligações com o indivíduo conhecido pelo pseudónimo 'Fito'", embora tenha especificado que não podia confirmar que tivesse havido um encontro direto com o criminoso.
José Adolfo Macías Villamar, vulgo "Fito", é o líder do grupo criminoso equatoriano Los Choneros. No início de 2024, ele fugiu de uma prisão em Guayaquil.
Após sua recaptura em junho de 2025, foi extraditado para os Estados Unidos e se tornou o primeiro grande narcotraficante equatoriano a ser julgado no país, em um tribunal de Nova York.