23 países: Declaração de Barcelona defende reforma da ONU e combate à desinformação

Documento reafirma compromisso com direitos humanos, governança digital, redução da desigualdade e fortalecimento institucional.

Chefes de Estado, chefes de governo e altos representantes reunidos em Barcelona reafirmaram em nota conjunta o compromisso com a defesa da democracia, dos direitos humanos e da ordem internacional baseada em normas e no direito internacional, incluindo a autodeterminação dos povos e a solução pacífica de conflitos.

O grupo destacou, no sábado (18), que a democracia é um processo permanente, sustentado pela legitimidade, eficácia e capacidade de resposta das instituições públicas.

A reunião dá continuidade ao processo iniciado na Assembleia Geral da ONU de 2024, reforçado em Santiago do Chile em julho de 2025 e retomado à margem da Assembleia Geral da ONU no mesmo ano.

Os participantes afirmaram que a maioria da comunidade internacional segue comprometida com o bem-estar humano, a autodeterminação e sistemas de governança inclusivos e democráticos.

Ao mesmo tempo, alertaram para desafios ao sistema multilateral, à Carta das Nações Unidas, ao direito internacional, à soberania popular e à democracia.

Também foram citados como fatores de preocupação:

Compromissos assumidos

Reforço do multilateralismo

Os signatários defenderam:

O texto lembra que, em 80 anos, o cargo nunca foi ocupado por uma mulher.

Os países também assumiram compromisso de combater a violência política e digital baseada em gênero, além de garantir o direito de mulheres e meninas a viver sem violência.

Governança digital

A declaração reconhece que desinformação, manipulação de ecossistemas informativos e uso irresponsável de tecnologias digitais representam riscos aos processos democráticos.

Foi lançada a Mesa Redonda sobre Democracia Digital, voltada ao intercâmbio de experiências sobre regulação digital e políticas públicas.

Os participantes também defenderam:

Combate à desigualdade e ao extremismo

Os signatários afirmaram que desigualdade persistente, exclusão social, econômica e política e falta de oportunidades favorecem extremismo, polarização e retrocessos democráticos.

Foram defendidas políticas públicas inclusivas, justiça social, igualdade de gênero, participação juvenil e igualdade de oportunidades.

Também houve apoio a:

O documento afirma que o crime organizado ameaça a governança democrática ao alimentar corrupção, violência e radicalização.

Próximos passos

Os participantes disseram que seguirão desenvolvendo mecanismos concretos de cooperação entre governos, sociedade civil, academia e setor privado em defesa da democracia.

O grupo convocou outros países e parceiros a aderirem à iniciativa.

O fórum "Em Defesa da Democracia" voltará a se reunir em Nova York, em setembro, durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

Assinam a declaração: Albânia, Alemanha, Austrália, Áustria, Barbados, Botsuana, Brasil, Cabo Verde, Colômbia, Eslováquia, Espanha, Gana, Guatemala, Lituânia, México, Namíbia, Noruega, Palestina, República Dominicana, África do Sul, Reino Unido e Uruguai.