O Irã não vai entregar seu urânio enriquecido aos Estados Unidos, declarou no sábado (18) o vice-ministro das Relações Exteriores do país, Saeed Khatibzadeh, que afirmou em entrevista à AP que Teerã considera tal exigência "inegociável".
"Posso garantir que nenhum material enriquecido será enviado aos EUA", afirmou durante um fórum diplomático na Turquia.
O oficial explicou que o Irã, por enquanto, não está preparado para iniciar uma nova rodada de negociações cara a cara com os EUA, dadas as exigências "maximalistas" de Washington em questões cruciais que impedem o avanço para um encontro formal.
Khatibzadeh ressaltou que Teerã busca primeiro chegar a um acordo sobre um quadro geral antes de sentar-se para negociar diretamente, insistindo que ainda existem obstáculos importantes a serem resolvidos. Entre eles, destacou as sanções econômicas "ilegais" "dos EUA, que descreveu como "uma forma de pressão para enfraquecer o país por dentro".
"As outras partes também devem compreender e abordar nossas principais preocupações, que são as sanções unilaterais ilegais que os americanos impuseram aos iranianos e esse terrorismo econômico que tem como alvo o povo iraniano para sufocá-lo e levá-lo a se rebelar contra a estrutura política dentro do Irã", afirmou.
"Deter os agressores de uma vez por todas"
Quando questionado se o Irã responderia aos novos ataques de Israel contra o Líbano, apesar do cessar-fogo, Khatibzadeh respondeu: "O Irã não tem outra opção a não ser deter os agressores de uma vez por todas".
As declarações foram feitas depois que Donald Trump afirmou que os EUA obteriam o "pó nuclear" iraniano sem compensação econômica e chegou a sugerir medidas mais duras caso Teerã não cooperasse. Ele também garantiu que o Irã aceitaria interromper o enriquecimento, algo que não foi confirmado pelas autoridades iranianas.