Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no sul do Brasil, descreveram uma nova espécie de réptil que viveu há cerca de 230 milhões de anos no território que hoje corresponde ao Rio Grande do Sul. O artigo sobre o achado foi publicado na quarta-feira (15), na revista Royal Society Open Science.
A espécie, chamada Isodapedon varzealis, pertence ao grupo dos rincossauros, répteis herbívoros que viveram antes dos dinossauros dominarem a Terra. A descoberta ocorreu por meio de um crânio fóssil encontrado no município de Agudo, em 2020, em um sítio localizado no território do Geoparque Mundial Unesco Quarta Colônia.
A fragilidade do crânio exigiu que a equipe de paleontólogos utilizasse instrumentos delicados na escavação, o que preservou as estruturas anatômicas da criatura.
Na pesquisa, a equipe descreve características do maxilar e da mandíbula do Isodapedon que o diferenciam de outros rincossauros, sugerindo ser uma nova espécie.
Uma série de características identificadas pelos cientistas indicou também parentesco com espécies encontradas no continente europeu, como o Hyperodapedon gordoni, sugerindo uma ampla distribuição desses animais durante o período Triássico.
O artigo estima que o animal tivesse entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento, com uma cabeça de formato triangular e um bico semelhante ao de papagaios atuais. A estrutura indica que ele era um herbívoro que se alimentava de vegetação e podia escavar o solo em busca de raízes e tubérculos.
Com este achado, sobe para seis o número de rincossauros do Triássico encontrados no Brasil.