O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, concedeu uma entrevista exclusiva à RT e comentou a situação atual da ilha em meio à política adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e explicou por que considera que não se repetirá em seu país o cenário observado na Venezuela.
A entrevista foi realizada no V Colóquio Internacional Pátria de Comunicação Digital, que está sendo realizado de 16 a 18 de abril em Havana.
"Nunca gosto que nos comparem com as realidades de outro país, primeiro porque isso não reconhece a história particular. Cuba é uma nação que esteve por mais de 60 anos sob bloqueio, resistindo a agressões, sempre fomos alvo de agressões. E sobrevivemos, resistimos a essas agressões e conseguimos até avançar, embora não tenhamos alcançado tudo o que sonhamos e tudo o que queríamos, precisamente pelas implicações e limitações impostas pelo bloqueio", manifestou o mandatário cubano.
Díaz-Canel afirmou que "a força da unidade do nosso povo é algo muito próprio do nosso país", mas voltou a dizer que não gosta de comparações, especialmente com a Venezuela, "uma nação irmã", "onde alguém como Chávez, por quem temos muito carinho e que Fidel declarou como o melhor amigo de Cuba, protagonizou e liderou uma revolução bolivariana que também abriu um espaço e uma perspectiva para a integração na América Latina e no Caribe há duas décadas".
"O que posso te assegurar é que aqui há um povo disposto a lutar", ressaltou à RT, ao recordar os 32 combatentes cubanos que perderam a vida defendendo o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, sequestrado em janeiro pelos Estados Unidos.
"E se 32 combatentes cubanos caíram na Venezuela defendendo o presidente dessa nação, o que não seriam milhões de cubanos com esse mesmo exemplo, lutando para salvar a revolução e defender o território cubano", acrescentou.
Anteriormente, o presidente visitou o estande da RT no fórum, onde utilizou uma ferramenta de inteligência artificial que permite fazer uma selfie com o líder da Revolução Cubana.
Uma plataforma para o diálogo
O Colóquio Internacional Pátria é uma plataforma de diálogo e troca de opiniões entre especialistas locais e internacionais, ativistas políticos, jornalistas, acadêmicos, formadores de opinião, blogueiros e outros profissionais.
Entre os principais temas estão a guerra da informação, incluindo o combate à desinformação e às campanhas de notícias falsas, a proteção da soberania digital e a análise do potencial das novas tecnologias da informação e da computação. Também há eventos dedicados ao desenvolvimento da inteligência artificial e aos desafios associados a esse fenômeno.
O fórum inclui conferências, apresentações, mesas-redondas e aulas magnas, além de estandes de meios de comunicação nacionais e internacionais que atuam na ilha.
Apesar de sua trajetória recente, desde 2022, o colóquio se consolidou como uma plataforma de referência para a cooperação em políticas de informação entre representantes de países de diferentes regiões do mundo.