
País da OTAN é alvo de críticas por exibir em embaixada quadro que celebra invasão a ex-colônia

Uma pintura retratando um dos marcos do colonialismo britânico na Nigéria, exposta na embaixada do Reino Unido naquele país, tem provocado revolta entre políticos, ativistas e historiadores, informou o jornal Metro na quinta-feira (16).

"Navios de guerra britânicos atacados pelo rei de Lagos", de James George Philp, retrata o ataque naval que, em 1851, derrubou o rei local Kosoko e o substituiu por fantoche britânico – Akitoye. O episódio é considerado o primeiro passo na conquista britânica da Nigéria, que culminou em 1861.
A obra foi instalada pelo Alto Comissário na sede diplomática britânica em Lagos após a vitória do Partido Trabalhista nas eleições de 2024 no Reino Unido.
Agora, os diplomatas enfrentam pressões para retirar o quadro a fim de preservar as relações com o país africano.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, a embaixada chegou a receber um descendente da família Kosoko após a instalação da pintura.
Reação pública
"O fato de que aparentemente se celebram os crimes do passado é muito significativo e talvez dê alguma pista sobre a atitude atual em relação à Nigéria e aos nigerianos", afirmou Hakim Adi, o primeiro historiador afro-britânico a receber o título de professor de História no Reino Unido.
Para o historiador, a chancelaria deveria sentir-se "envergonhada" por exibir uma pintura que "celebra a invasão e a mudança de regime, em um momento em que o mundo precisa condenar tais crimes".
A deputada trabalhista Kim Johnson afirmou que o ministério deve rever a decisão, "profundamente preocupante", de expor a obra. Ela também exigiu transparência para esclarecer quem tomou a decisão de expor o quadro de temática colonial e por quê.
A ONG Fundação Africana para o Desenvolvimento (AFFORD, na sigla em inglês) considera que a exibição da obra poderia deteriorar os laços políticos entre os dois países.

