O ataque em grande escala dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode elevar os custos de reconstrução no Oriente Médio a US$ 58 bilhões, segundo análise publicada na quarta-feira (15) pela Rystad Energy.
O relatório aponta que cerca de US$ 50 bilhões desse total estariam ligados a instalações de petróleo e gás. A nova estimativa representa um salto significativo em relação aos US$ 25 bilhões projetados há três semanas, indicando a rápida ampliação dos danos à infraestrutura energética na região do Golfo.
"Isso já não é apenas uma história sobre instalações danificadas no Golfo, mas um teste de resistência para a cadeia global de energia", afirmou Karan Satwani, da Rystad Energy.
Segundo ele, os reparos não criam nova capacidade, apenas redistribuem a existente, o que tende a gerar atrasos em projetos e pressionar a inflação além do Oriente Médio. "A conta de US$ 58 bilhões chama atenção, mas os impactos nos prazos de investimento global podem ser igualmente relevantes", acrescentou.
A Rystad avalia que o tempo de recuperação varia conforme os ativos e países, devido às diferenças de capacidade e gargalos na cadeia de suprimentos. O Irã concentra mais instalações afetadas e maior diversidade de danos, enquanto o Catar aparece em seguida, com impacto mais concentrado e tecnicamente complexo.
Indenização por danos
Recentemente, o representante permanente do Irã na ONU, Amir Said Irvani, solicitou que vários países do Oriente Médio paguem uma indenização a Teerã por permitirem que os EUA e Israel utilizem seu território para atacar a República Islâmica.
"Exigimos indenização de cinco países da região — Bahrein, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes e Jordânia — por sua participação na guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã", afirmou.
Segundo Irvani, esses países cometeram atos "internacionalmente ilícitos" e, portanto, devem pagar "uma indenização por todos os danos materiais e morais decorrentes" disso.
Por sua vez, o governo do Irã estimou em cerca de US$ 270 bilhões os danos causados pelos recentes ataques dos Estados Unidos e de Israel, um valor que, segundo as autoridades, ainda não é definitivo.
A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, destacou que o cálculo é preliminar e pode aumentar à medida que todas as dimensões do impacto forem avaliadas.
Ela acrescentou que a questão das reparações é um dos pontos-chave que Teerã está promovendo nas negociações, incluindo as recentes conversas em Islamabad.
Guerra no Oriente Médio
Em 28 de fevereiro, Israel e os EUA iniciaram uma ofensiva conjunta contra o Irã com o objetivo declarado de "eliminar as ameaças" da República Islâmica.
Os bombardeios causaram a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários altos cargos militares, entre eles o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani; o comandante da milícia Basij, Gholamreza Soleimani; e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib. Mojtaba Khamenei, filho do líder supremo, foi escolhido como seu sucessor.
Como represália, Teerã lançou várias ondas de mísseis balísticos e drones contra Israel e bases americanas em países do Oriente Médio. Além disso, a República Islâmica realizou uma série de ataques que atingiram "instalações petrolíferas vinculadas aos Estados Unidos" em diversos países da região.