Ramagem se pronuncia pela primeira vez após detenção pelo ICE

Em vídeo, o ex-parlamentar afirmou que sua situação no país norte-americano é regular e acusou a PF brasileira de se tornar "polícia de jagunços".

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem publicou, nesta quinta-feira (16), um vídeo em suas redes sociais se pronunciando após ter sido detido e liberado pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE).

No vídeo, Ramagem diz que sua situação é "absolutamente" regular e que ele não está se escondendo nos Estados Unidos. Ele alega que entrou no país com visto válido e solicitou asilo dentro dos procedimentos legais, o que garantiria sua situação regular.

"Meu endereço é conhecido da administração pública americana e também das contratações privadas de serviços", declarou. "Minhas filhas estão regularmente matriculadas e cursando escola pública na Flórida".

"Polícia de jagunços"

"Quem está demonstrando que pode estar sorrateiro aqui não sou eu", prosseguiu. "O adido da Polícia Federal que venha falar comigo de frente, que eu não tenho nada para esconder".

O ex-deputado ainda acusou a PF de ter se tornado uma "polícia de jagunços desse diretor-geral, Andrei Rodrigues".

A prisão, que contou com a cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas, aconteceu na segunda-feira (13) em Orlando, no estado da Flórida.

Na quarta-feira (15), Ramagem deixou o centro de detenção, o que levou a Polícia Federal brasileira a buscar esclarecimentos com as autoridades norte-americanas.

Condenação no Brasil

O político, que já ocupou o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, deixou o Brasil e deu entrada no pedido de asilo nos EUA após condenação expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

No vídeo, o deputado classificou como "farsa" as acusações que levaram a sua condenação por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, além de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Ele ainda defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que há "perseguição" contra aliados políticos, com uma mensagem de apoio aos investigados e condenados no caso.

Os crimes e "perseguições" a que ele se refere possuem relação com sua participação na mentoria e idealização dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023