
Embaixador do México na Rússia é convocado após detenção ilegal de menor russa no país

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou nesta quinta-feira (16) o embaixador do México em Moscou, Eduardo Villegas Megías, em relação à detenção ilegal de uma menor de nacionalidade russa.
A chancelaria detalhou que "foi reiterada profunda preocupação com a inação das autoridades mexicanas" na resolução da situação de Kristina Romanova, mantida sob custódia por órgãos estatais de tutela do país latino-americano em um centro especializado de acolhimento.
"Diante da atitude de ignorar os reiterados pedidos feitos por Moscou, a parte russa apresentou uma exigência firme para que seja garantido imediatamente o acesso consular à menor de nacionalidade russa e sejam criadas todas as condições necessárias para seu retorno sem obstáculos ao país de origem", diz o comunicado.
O ministério destacou que mantém o caso sob controle constante em estreita colaboração com a Duma Estatal (câmara baixa do Parlamento russo) e com a comissária russa para os direitos da criança, Maria Lvova-Belova.
Entenda o caso:
A Embaixada da Rússia no México acompanha o caso desde 2023, quando a menor foi encaminhada a um abrigo do Sistema para o Desenvolvimento Integral da Família do Estado do México (DIFEM) devido a possíveis riscos de violência familiar e a um suposto abuso por parte de um meio-irmão.
A mãe adotiva da menor, Marina Romanova, rejeitou as alegações e, em setembro de 2024, acusou a instituição de "sequestro" da jovem, afirmando que a família não a via desde que o DIFEM a retirou do Instituto Educativo España, onde estudava, segundo o portal Proceso. A adolescente foi localizada em outubro de 2024 na cidade de Tijuana e colocada sob tutela estatal.

Funcionários consulares russos realizaram, no verão de 2025, quatro encontros com a jovem, durante os quais ela solicitou retornar à Rússia. No entanto, recentemente há uma "persistente relutância das autoridades responsáveis pela aplicação da lei em conceder acesso consular" à menor, denunciou nesta semana a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, acrescentando que o último pedido foi negado em 10 de abril.
"Somos obrigados a reconhecer, em Moscou, que as autoridades mexicanas demonstraram uma compreensão insuficiente da gravidade da situação atual, que pode ser classificada como desaparecimento forçado", afirmou a porta-voz, ressaltando que o caso constitui "uma grave violação das obrigações internacionais do país".
