Coletivos judeus denunciam censura em evento do Itamaraty sobre antissemitismo: 'Privilegia sionistas'

Em nota conjunta, agremiações acusam seminário de excluir "setores judaicos declaradamente solidários à Palestina".

Coletivos judaicos denunciaram tratamento desigual em um evento promovido pelo Itamaraty nesta quinta-feira (16) em Brasília. A nota foi publicada nas redes sociais.

As organizações "Árabes e Judeus pela Paz", "Árabes e Judeus pela Democracia", "Articulação Judaica de Esquerda" e "Vozes Judaicas por Libertação" foram impedidas pela coordenação do evento de se pronunciar durante o seminário "Enfrentamento ao antissemitismo".

Em nota conjunta, os grupos informam que, em reunião na terça-feira (14), solicitaram ao menos dez minutos de fala, mas a proposta foi recusada pelos organizadores.

"Nossa ausência não é uma escolha. Tivemos nosso direito à fala bloqueado pela coordenação do evento, mesmo integrando o Grupo de Trabalho sobre Antissemitismo instituído pelo governo federal", diz o texto.

Presença majoritária de sionistas?

As entidades também criticam a composição das mesas de debate, que, segundo relatam, contam com a presença majoritária de agremiações sionistas, "inclusive aquelas que reiteradamente atacam o presidente Lula e seu governo, com posições alinhadas à extrema direita, como é o caso da CONIB".

Os coletivos apontam falta de pluralidade no seminário e questionam a realização do evento na data que marca a memória do Holocausto.

"Trata-se de mobilizar uma data fundamental da memória do Holocausto para promover vozes alinhadas a uma agenda sionista no Brasil — o que constitui uma afronta à própria memória que se pretende preservar".

As organizações afirmam que não irão participar do evento e indicam que continuarão atuando em instâncias oficiais ligadas ao tema.

"Não participaremos de um espaço que nos nega voz", afirmam. Segundo os grupos, "a comunidade judaica é plural" e "o sionismo não é um ponto de convergência".

Confira a nota