Lula cita golpe de 1964 e morte de Vargas ao criticar desinformação: 'nosso papel é estar alerta'

Os comentários foram feitos durante reunião com centrais sindicais e após o presidente enviar ao Congresso um projeto de lei pelo fim da escala 6x1.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (15), durante reunião com Centrais Sindicais, que a história do Brasil registra vários retrocessos nos direitos dos trabalhadores, citando como exemplos o golpe militar de 1964, que depôs o presidente João Goulart, e o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, após intensa campanha midiática e forte pressão política.

Na ocasião, Lula também criticou o uso excessivo de celulares e o consumo de notícias falsas, afirmando que conteúdos distorcidos tendem a chamar mais atenção do que fatos relevantes.

"Muitas vezes o que interessa não chama a atenção. Dizer que o planeta Terra é redondo não chama a atenção, mas, quando você diz que a Terra é quadrada, chama a atenção", criticou.

Nesse contexto, o presidente defendeu a construção de narrativas para conscientizar a sociedade sobre possíveis riscos. "Nosso papel é estar 100% alerta para não permitir que haja mais retrocesso", sustentou.

O pronunciamento ocorreu após a Marcha da Classe Trabalhadora e a Conclat 2026, quando entidades como CUT, CTB e Força Sindical entregaram a "Pauta da Classe Trabalhadora 2026–2030", com reivindicações como o fim da escala 6x1, a regulamentação do trabalho por aplicativos e o fortalecimento das negociações coletivas. O líder e fundador do movimento VAT (Vida Além do Trabalho), Rick Azevedo, discursou no evento antes do mandatário.

No dia anterior, o presidente enviou ao Congresso Nacional, com urgência constitucional, um projeto de lei que propõe o fim da escala 6 por 1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial.