O embaixador israelense nos EUA, Yechiel Leiter, afirmou, nesta quarta-feira (15), que seu país não quer que a França se envolva nas negociações de paz com o Líbano para pôr fim às hostilidades.
"Certamente não queremos os franceses por perto nessas negociações. Gostaríamos de manter os franceses o mais longe possível de quase tudo, mas especialmente no que diz respeito às negociações de paz", disse Leiter à imprensa, após as conversas entre Tel Aviv e Beirute em Washington.
Segundo o diplomata, os franceses "não são necessários" e "não são uma influência positiva, especialmente no que diz respeito ao Líbano".
Primeiros contatos diretos em décadas
As primeiras conversas diretas em décadas entre Israel e o Líbano ocorreram na terça-feira (13), na capital dos Estados Unidos.
O encontro contou com a participação do embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa; do conselheiro do Departamento de Estado, Michael Needham; do embaixador israelense e da embaixadora libanesa, Nada Hamadeh, bem como do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Após as "conversas produtivas" mantidas entre ambas as partes, eles concordaram em realizar uma segunda rodada de negociações "em data e local mutuamente acordados".
As aproximações ocorrem em meio à invasão israelense do sul do Líbano no âmbito da ofensiva contra o grupo Hezbollah. O foco das negociações é a possibilidade de um cessar-fogo e o desarmamento do grupo, segundo fontes da Axios.
A posição do Hezbollah
O Hezbollah tem se oposto às negociações diretas entre Beirute e Tel Aviv e advertiu que não aceitará nenhum acordo que possa resultar dessas conversas.
"Quanto aos resultados dessa negociação entre o Líbano e o inimigo israelense, não nos interessam nem nos preocupam de forma alguma", comentou Wafiq Safa, membro de alto escalão do conselho político do Hezbollah, à AP. "Não somos obrigados a cumprir o que for acordado", acrescentou.
Ocupação israelense
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, declarou que a estabilidade não retornará ao sul do país enquanto Israel continuar ocupando territórios nessa região.
Ele também destacou que a solução reside no retorno do Exército libanês à fronteira, para que seja o único responsável pela segurança da região e pela proteção da população, em alusão à chamada "faixa de segurança" que Israel afirma ter estabelecido para se defender dos ataques do Hezbollah.