
Pessoas estão falando cada vez menos: estudo aponta queda contínua de 120 mil palavras por ano

Um estudo publicado no Perspectives on Psychological Science em 20 de março indica que as pessoas estão falando, em média, 338 palavras a menos por dia a cada ano, com tendência observada ao longo de pelo menos 15 anos.

A análise reuniu dados de 22 estudos realizados entre os anos de 2005 e 2019, com cerca de 2.200 participantes.
Segundo os pesquisadores, a redução segue um padrão linear. A cada ano, o volume médio diário de palavras faladas diminuiu em 338, o que representa mais de 120 mil palavras a menos por pessoa ao longo de um ano.
Descoberta durante replicação de estudo
O levantamento foi conduzido por Matthias Mehl, professor de psicologia da Universidade do Arizona, em parceria com Valeria Pfeifer, da Universidade do Missouri–Kansas City.
O objetivo inicial era replicar um estudo de 2007 sobre diferenças de fala entre homens e mulheres. A redução na quantidade de palavras surgiu durante a análise dos novos dados.
"Estávamos replicando um estudo anterior sobre diferenças de gênero na quantidade de palavras que homens e mulheres falam por dia. Minha colaboradora, Valeria Pfeifer, me apresentou as contagens de palavras das análises de replicação usando a mesma metodologia do nosso estudo de 2007, mas com 2.200 novos participantes em 22 estudos. Nossa estimativa da média diária de palavras faladas ficou em cerca de 12.700 palavras. Em 2007, havia sido 15.900. Eu disse a ela que devia haver um erro. Mas ela revisou tudo, e o número se manteve. Algo realmente havia mudado", diz Mehl.
Redução afeta diferentes faixas etárias
A queda foi observada tanto entre jovens quanto entre adultos. Entre pessoas com menos de 25 anos, a redução anual média foi de 452 palavras.
Entre os participantes com 25 anos ou mais, a diminuição ficou em 314 palavras por ano, indicando que o movimento ocorre de forma ampla.
"As pessoas imediatamente pensam em redes sociais e smartphones, e isso certamente faz parte", revela o autor.
Mudanças no cotidiano e interações presenciais
Os dados também indicam redução em interações cotidianas presenciais, como conversas rápidas em comércios ou com vizinhos.
"Perdemos muitas pequenas conversas do dia a dia: pedir ajuda a um caixa, pedir informações a um desconhecido, conversar com um vizinho", afirma o especialista.
Os pesquisadores destacam que ainda não há dados após o ano de 2019, mas apontam que a tendência pode ter continuado nos anos seguintes.
"Não temos dados após 2019, então não posso afirmar com certeza. Mas eu ficaria surpreso se a tendência tivesse se revertido. A pandemia acelerou muitas das forças que já estavam afastando as pessoas socialmente", disse Mehl.
O estudo não avalia impactos diretos nem se a comunicação digital compensa a redução da fala, mas registra a mudança como um indicador mensurável nos padrões de interação.


