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EUA x Vaticano: vice-presidente americano quis 'ensinar' teologia ao Papa Leão XIV

Utilizando o Holocausto como exemplo, J.D. Vance pontuou em seu discurso que "Jesus Cristo com certeza não apoia o genocídio", e pediu "cuidado" ao Papa para falar sobre questões de teologia.
EUA x Vaticano: vice-presidente americano quis 'ensinar' teologia ao Papa Leão XIVGettyimages.ru / Simone Risoluti Vatican Media

O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, dirigiu duras críticas ao Papa Leão XIV após suas declarações sobre o uso da força e o advertiu para que fosse mais "cauteloso" ao se pronunciar sobre "teologia" durante um evento na Universidade da Geórgia, na quarta-feira (15).

Vance questionou inicialmente a afirmação do pontífice de que "Deus nunca está do lado daqueles que empunham a espada", sob a premissa de que existe "uma tradição de mais de mil anos da teoria da guerra justa"; isso em referência ao fato de que, segundo ele, o papa não levava em conta conflitos como a Segunda Guerra Mundial.

"Deus estava ao lado dos americanos que libertaram a França dos nazistas? Deus estava do lado dos americanos que libertaram os campos do Holocausto e aquelas pessoas inocentes, que sobreviveram ao Holocausto? Sem dúvida, acredito que a resposta seja sim", afirmou Vance.

O vice-presidente sustentou as figuras públicas devem ponderar suas palavras: "É muito importante que o papa seja cauteloso ao falar de questões de teologia", ressaltou.

"Se ele vai se pronunciar sobre questões de teologia, precisa ter cuidado. Precisa garantir que esteja ancorado na verdade", declarou, acrescentando que esse padrão deveria se aplicar a todo o clero, "sejam católicos ou protestantes".

A Casa Branca contra o Vaticano

As relações entre a Casa Branca e a Santa Sé atravessam um de seus momentos mais difíceis em meio a ataques diretos do presidente Donald Trump contra o Papa, nascido nos EUA, depois que este expressou sua preocupação com os conflitos internacionais e com as políticas migratórias em um tom interpretado como crítico em relação a Washington.

Trump questionou a autoridade do papa e sua postura em questões de segurança: classificou Leão XIV como "fraco diante do crime", "péssimo em política externa" e o acusou de se aliar a setores de esquerda. Trump chegou a sugerir que a eleição do pontífice estaria ligada à sua própria presidência.

Por sua vez, o Papa Leão XIV evitou aprofundar o conflito, embora tenha reafirmado sua postura a favor da paz: "Continuarei me manifestando energicamente contra a guerra.

Ele sinalizou ainda que não deseja entrar em uma discussão com Trump e acrescentou que não acredita "que a mensagem do Evangelho deva ser mal interpretada, como algumas pessoas estão fazendo".

Na reação internacional, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, condenou os "insultos" de Trump ao papa e os qualificou de "inaceitáveis". Também defenderam o pontífice o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, que afirmou que o sumo pontífice "semeia a paz", e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, que considerou "correto e normal" que o Papa "peça a paz e condene toda forma de guerra".