Notícias

'Fiquei horrorizado': Ministro libanês critica Netanyahu por 'desfilar' em território no sul do Líbano

Ghassan Salamé denunciou que as forças israelenses estão estabelecendo no sul do Líbano uma "zona de segurança" através de "destruição em massa".
'Fiquei horrorizado': Ministro libanês critica Netanyahu por 'desfilar' em território no sul do LíbanoGettyimages.ru / Kobi Gideon / GPO

O ministro da Cultura do Líbano, Ghassan Salamé, comentou nesta terça-feira (14) a recente visita de Benjamin Netanyahu às suas forças militares destacadas no país árabe, afirmando estar horrorizado ao ver o primeiro-ministro de Israel "desfilando" por território libanês.

"Fiquei horrorizado. É o meu território. Não é o dele. Fiquei horrorizado ao vê-lo desfilando em território libanês", confessou em entrevista à Sky News após ser perguntado sobre o assunto. "Mas não é isso o que mais me impressiona. O cenário que envolve a ele e seu chefe de gabinete me horroriza ainda mais", continuou.

Salamé se pronunciou sobre a chamada "área de segurança" israelense no sul do Líbano. Ele explicou que, ao contrário da zona tampão estabelecida pelas Forças de Defesa de Israel entre 1985 e 2000, desta vez eles a estão criando com base em "destruição em massa, bombardeando com drones e aviões, e depois com artilharia". "Depois trazem os chefes e arrasam vilarejos inteiros", acrescentou.

"Estão destruindo vilarejos e exercendo pressão"

O ministro libanês disse que há duas coisas que ele considera "cruéis" em comparação com a primeira zona de segurança israelense.

Ele enfatizou que os israelenses "estão destruindo aldeias, muitas vezes com grande valor histórico para seus habitantes". Além disso, "estão pressionando o frágil tecido social libanês ao deslocar centenas de milhares de pessoas que, ao verem o que acontece em suas aldeias, chegam à conclusão de que não poderão retornar a elas — ao contrário do que ocorreu há 30 ou 40 anos —, o que aumentará o desespero por terem sido expulsas de casas", explicou.

"Portanto, aconselharia nossos vizinhos do sul a demonstrarem mais humildade em seu comportamento", concluiu Salamé.

  • São as primeiras conversas diretas em décadas entre Israel e Líbano, que vivem relação conflituosa desde a criação do Estado de Israel em 1948. É também o encontro de mais alto nível entre os dois países desde 1993.
  • Na semana passada, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, autorizou negociações diretas com o Líbano "o mais breve possível", com o objetivo de "desarmar o Hezbollah".
  • O movimento xiita libanês, por sua vez, opôs-se veementemente às negociações diretas entre o Líbano e Israel nos Estados Unidos e advertiu que não acataria nenhum acordo que pudesse resultar do encontro.
  • "Quanto ao resultado desta negociação entre o Líbano e o inimigo israelense, não temos o menor interesse nem a menor preocupação", declarou Wafiq Safa, membro do conselho político do Hezbollah, à Associated Press. "Não somos obrigados a acatar qualquer acordo que eles fizerem", acrescentou.