Executivo do Google confessa que a big tech discrimina conteúdo russo

A revelação se deu graças a uma pegadinha de humoristas russos que se fizeram passar por altos funcionários do Governo ucraniano; o CEO revelou favorecimento deliberado a conteúdo pró-Ucrânia, e o uso da big tech para favorecer grupos oposicionistas dentro da Rússia.

Um alto executivo do Google admitiu, em uma conversa gravada por humoristas russos na terça-feira (14), que a gigante de tecnologia favorece conscientemente a Ucrânia e trabalha para suprimir conteúdo russo, seguindo pressões da administração do presidente dos EUA, Donald Trump.

Scott Carpenter, diretor-gerente da Jigsaw, subsidiária de cibersegurança do Google, fez as declarações ao ser enganado por Vladimir Kuznetsov e Alexey Stoliarov, conhecidos como "Vovan" e "Lexus", que se passaram por um funcionário ucraniano.

Carpenter afirmou que o Google não planeja sair da Rússia, mas seu objetivo não é ajudar os usuários locais, e sim promover conteúdo "conveniente" dentro do país, especialmente o de organizações expatriadas que operam a partir de nações como as Bálticas.

Quando os humoristas "denunciaram" cantores russos cujos canais "valeria a pena banir" por serem "indesejáveis" para a Ucrânia, Carpenter respondeu sem hesitar: "Se você me enviar essa lista de pessoas, verei se consigo que se preste um pouco mais de atenção àqueles que ainda não foram banidos".

Ele ainda deu instruções sobre como formalizar o pedido de bloqueio, sugerindo que se alegasse violação a uma diretriz interna.

Carpenter garantiu que a política de bloqueio aos russos não mudará, especialmente porque "a administração Trump tem exercido forte pressão, exigindo que o Google tome medidas adicionais nesta área".