A CPI do Crime Organizado rejeitou, nesta terça-feira (14), o relatório final apresentado pelo relator Alessandro Vieira (MDB-SE). O texto pedia o indiciamento por crimes de responsabilidade de três ministros do Supremo Tribunal Federal: Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador geral da República, Paulo Gonet.
Veículos de imprensa brasileiros associam a rejeição a uma ''manobra'' de última hora, que alterou a composição da CPI horas antes da votação final. Os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram substituídos pelos parlamentares petistas Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), enquanto a suplente Soraya Thronicke (PSB-MS) tornou-se membro titular.
Em coletiva após a votação, Vieira associou a manobra à "intervenção direta do Palácio do Planalto" e afirmou que ela representa "apenas o atraso na pauta", que é "permanente" e tem "data para acontecer".
"Em algum momento, o Brasil vai ter maturidade institucional para verificar a conduta de integrantes do Supremo, que são seres humanos como cada um de nós, e podem cometer erros", sustentou.
Vieira também afirmou que as críticas do ministro Gilmar Mendes ao seu relatório integram um "modus operandi de ameaça e tentativa de constrangimento". "Em pleno andamento da votação, você tem manifestação de ministro do Supremo apontando para cassação de mandato e inelegibilidade, e isso interfere diretamente no processo de votação", criticou.
Anteriormente, Gilmar afirmou que o pedido não tem base legal e declarou que "o indiciamento constitui ato privativo de delegado de polícia e não se aplica a crimes de responsabilidade".
O ministro também classificou a iniciativa como "crime de hermenêutica". Segundo ele, o relatório representa uma "cortina de fumaça" com possível finalidade política.