O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou declarações e posturas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar o tema em entrevista ao Brasil247 nesta terça-feira (14).
Para Lula, a condução política baseada em ameaças não contribui para a democracia nem para a imagem internacional do país.
Ele afirmou que Trump adota uma estratégia voltada ao público interno. "Eu acho que o presidente Trump faz um jogo eminentemente na tentativa de agradar o povo americano, para tentar passar a ideia de um país potência, de um país preponderante, de um país onipotente [...], daquele povo superior."
Na sequência, o presidente brasileiro ressaltou a relevância dos EUA no cenário global, citando fatores econômicos, tecnológicos e militares. "Obviamente, nós somos admiradores dos EUA, um país que cresceu, se desenvolveu, tem a maior economia do mundo, o maior poder bélico do mundo e alta tecnologia; tudo isso a gente admira."
Lula também afirmou que o protagonismo dos Estados Unidos não é consequência do autoritarismo de seus líderes. "A capacidade de trabalho do povo americano... mas isso não é pelo autoritarismo do presidente. Isso é, sabe, pela conjuntura econômica, pela importância do país, pelo grau de universidade que eles têm."
Estratégia de intimidação
Ao comentar a atuação de Trump, Lula afirmou que já disse ao presidente, em encontro anterior, que a estratégia de intimidação não é necessária nem eficaz: "Então, o Trump não precisava ficar ameaçando o mundo. Eu disse pro Trump: a gente tem que escolher se a gente quer ser temido ou se a gente quer ser amado."
O presidente concluiu associando liderança à confiança, e não ao medo. "As pessoas podem me considerar uma liderança porque gostam de mim, e podem achar que eu sou líder porque têm medo; e quem tem medo não vê liderança, vê um algoz. É diferente. Então, acho que o Trump não precisava disso, o povo americano não precisava disso. Essas ameaças do Trump não fazem bem para a democracia."