A China amplia sua presença econômica no Brasil com investimentos voltados ao consumo interno, após anos de concentração em setores como energia e petróleo. Segundo análise da agência Reuters, empresas chinesas passaram a direcionar recursos para áreas como alimentação, tecnologia e mobilidade, com foco no mercado de mais de 200 milhões de consumidores no país.
Dados do Conselho Empresarial Brasil-China, citados pela Reuters, indicam que o investimento direto chinês no país dobrou e atingiu 4,2 bilhões de dólares em 2024, distribuídos em 39 projetos. Com isso, o Brasil passou a ocupar a terceira posição entre os destinos globais desses recursos.
A mudança de perfil dos investimentos inclui a entrada de novas empresas no mercado brasileiro, como a rede chinesa de sorvetes e bebidas Mixue inaugurou uma unidade em São Paulo no sábado (11), marcando sua chegada à América do Sul.
A empresa prevê investir cerca de 3 bilhões de reais no país e planeja abrir mil lojas até 2030, incluindo franquias.
A fabricante de eletrônicos Huawei também inaugurou sua primeira loja física em São Paulo em 2025, após décadas operando no país.
No setor automotivo, empresas como GWM e BYD adquiriram fábricas no Brasil e iniciaram adaptações para a produção de veículos elétricos e híbridos. A GWM prevê investir 10 bilhões de reais ao longo de uma década em uma unidade instalada em uma antiga planta da Mercedes-Benz.
No segmento de serviços, a empresa Meituan anunciou planos de investir 1 bilhão de dólares até 2030 para atuar no mercado de entrega de alimentos no Brasil com o aplicativo Keeta.
De acordo com a agência, a expansão de empresas chinesas em mercados como o brasileiro ocorre em um contexto de mudanças no cenário internacional. O aumento de barreiras comerciais nos Estados Unidos tem levado companhias a buscar novos destinos para seus produtos e investimentos.