
Irã abre cada vez mais brechas no Domo de Ferro israelense

Estudo publicado nesta segunda-feira (13) pelo jornal israelense Haaretz revelou que, durante a última semana da guerra contra o Irã, um em cada quatro mísseis lançados pelo país persa conseguiu burlar os sistemas de defesa aérea do Domo de Ferro.
À medida que o conflito no Oriente Médio se prolonga, os sistemas antimísseis israelenses perdem eficácia.
De acordo com a pesquisa, nos 40 dias de combates, Teerã lançou cerca de 650 mísseis contra território israelense. No início da guerra, apenas 5% desses projéteis atingiam o alvo, enquanto na última semana do conflito essa proporção disparou para 27%.

Dos 77 mísseis que atingiram o solo israelense, 61 — quatro em cada cinco — eram mísseis de fragmentação. Esse tipo de munição libera dezenas de submunições, pequenas bombas com poucos quilos de explosivo, que se espalham por uma área ampla.
Segundo o Haaretz, Tel Aviv não conseguiu desenvolver um sistema específico para lidar com esses projéteis, apesar de já ter enfrentado uma situação semelhante em junho do ano passado, quando o Irã lançou 530 mísseis balísticos. Na ocasião, apenas três dos 35 projéteis que atingiram o alvo eram de fragmentação.
Dificuldades para interceptar os mísseis
Fontes militares consultadas pelo jornal afirmam que não há escassez de interceptores nas Forças de Defesa de Israel (IDF), mas que a prolongação das hostilidades obrigou o país a gerenciar os riscos de impacto em detrimento da manutenção do estoque.
Às vezes, opta-se por não interceptar um míssil se os cálculos indiquem que ele cairá em uma zona desabitada. No entanto, o estudo aponta que um dos principais problemas é que nem sempre é possível identificar com certeza o tipo de munição que um míssil carrega para decidir qual interceptor utilizar.
O problema se agrava com os mísseis de fragmentação, cujo comportamento em voo exige sistemas de interceptação específicos e nem sempre disponíveis.
O sistema mais eficaz é o Arrow 3, que intercepta os projéteis fora da atmosfera, antes que possam dispersar suas submunições. Mas cada interceptador Arrow 3 custa três milhões de dólares e seu estoque é limitado. Além disso, sua reposição foi adiada por meses devido a um conflito entre o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, e o ministro da Cooperação Regional, David Amsalem.
Os interceptores THAAD de fabricação norte-americana, também eficazes contra essa ameaça, foram parcialmente realocados para proteger os países do Golfo Pérsico.
Já o sistema David's Sling, que opera dentro da atmosfera, não é eficaz contra mísseis de fragmentação, porque quando entra em ação, o projétil já dispersou suas submunições.
Consultado pelo Haaretz, o porta-voz do Exército israelense declarou: "Não detalharemos a política de interceptação para não expor informações ao inimigo. Como parte da preparação, foi elaborado um plano de defesa em várias camadas que salvou muitas vidas civis. O Exército mantém um esforço contínuo de pesquisa e aprendizagem em conjunto com as indústrias de defesa israelenses".

