O primeiro-ministro britânico Keir Starmer defendeu os planos do Reino Unido de se alinhar mais com a União Europeia sem precisar de aprovação do Parlamento, argumentando o contexto internacional, conforme informou o The Guardian nesta segunda-feira (13).
O premiê do país ressaltou que, quase 10 anos após o referendo do Brexit, chegou o momento de "olhar para frente e não para trás", depois da notícia de que os ministros planejam aproveitar a oportunidade para criar novas leis que alinhem o Reino Unido à economia da UE, utilizando o recurso da "legislação secundária".
"Integração com a UE às escondidas"
Ao responder à pergunta se se trata de um meio de "integração com a UE às escondidas", Starmer negou a intenção de evitar participação dos membros do Parlamento, salientando que alterações entrarão em vigor somente "se o Parlamento aprovar a lei". A casa tem o poder de somente vetar ou aprovar as legislações secundárias, mas não alterá-las.
"Vivemos num mundo marcado por conflitos generalizados e grande incerteza, e acredito firmemente que o melhor para o Reino Unido é manter uma relação mais forte e estreita com a Europa", salientou o premiê britânico.
Um novo projeto de lei sobre um acordo comercial de alimentos e bebidas com a UE incluirá cláusulas que permitirão ao governo alinhar-se dinamicamente com a Europa quando já houver acordos existentes, o que também permitiria que o Reino Unido implemente rapidamente as regras do mercado único em constante evolução, caso considere que isso seja do interesse nacional, sem ter de passar pelo regimento parlamentar completo a cada vez.
Starmer ressaltou que o futuro acordo visa facilitar comércio e diminuir preços de produtos alimentares.
O que diz a oposição?
Os opositores de Starmer acusam o governo de não querer aceitar a decisão do referendo sobre a saída da União Europeia, com as funções do Parlamento sendo "reduzidas às de um espectador enquanto Bruxelas estabelece regras".
Durante coletiva de imprensa em Westminster, Nigel Farage, líder do Reform UK, afirmou que Starmer pretendia estabelecer laços mais estreitos com "uma parte em declínio da economia global".
"Apertar ainda mais nossos laços com ela [UE] não faz sentido do ponto de vista econômico. Do ponto de vista democrático, trata-se de uma traição total ao voto do Brexit há 10 anos, além de constituir uma violação completa do manifesto do Partido Trabalhista e uma desvalorização ainda maior do Parlamento", afirmou o político britânico.