'Acelerará colapso da UE': Enviado de Putin comenta derrota de Viktor Orbán

De acordo com resultados parciais, a oposição, liderada pelo partido Tisza, venceu as eleições; o premiê Viktor Orbán reconheceu a derrota, classificando-a como "dolorosa".

O enviado especial do presidente russo, Kirill Dmitriev, , afirmou nesta segunda-feira (13) que os resultados das eleições parlamentares na Hungria acelerarão o enfraquecimento da União Europeia.

Em uma mensagem publicada no X, Dmitriev reagiu à vitória da oposição, observando: "Isso só acelerará o colapso da UE. Daqui a quatro meses, verão se estou certo."

De acordo com resultados parciais, a oposição, liderada pelo partido Tisza, venceu as eleições, enquanto o primeiro-ministro Viktor Orbán reconheceu a derrota, classificando-a como "dolorosa". 

Segundo a primeira contagem, a aliança Fidesz-KNDP conquistou 54 cadeiras, enquanto o Tisza, liderado por Péter Magyar, garantiu 138

Posições diferentes

As posições de Orbán e Magyar divergem radicalmente em muitas questões. Por exemplo, Orbán apoia o fim do conflito ucraniano e defende as negociações de paz, enquanto o líder da oposição partilha da posição da União Europeia sobre a necessidade de continuar a ação militar e fornecer apoio militar a Kiev.

Orbán está no poder desde 2010. Seu partido, o Fidesz, e seus parceiros democratas-cristãos ocupavam 135 das 199 cadeiras na Assembleia Nacional. Ele é conhecido por seu conservadorismo, que levou a confrontos com a UE devido à sua recusa em aceitar solicitantes de asilo não europeus e à sua proibição de propaganda LGBT*.

Ele também está associado a um programa de nacionalismo econômico chamado 'Orbanomics' e às suas críticas ao apoio financeiro e militar da UE à Ucrânia.

Desse modo, Orbán bloqueou várias rodadas de sanções contra a Rússia e só cedeu após obter isenções que permitiram à Hungria continuar comprando energia russa. Além disso, Budapeste vetou um pacote de empréstimo da UE de € 90 bilhões, financiado por meio de dívida, para Kiev.

Péter Magyar, ex-membro do partido governista da Hungria, renunciou em 2024 e ingressou no Tisza, partido que se manteve marginalizado desde sua fundação, quatro anos antes.

Nesse período, Magyar esteve envolvido em dois processos judiciais. Em um deles, testemunhou sobre suposta corrupção no governo Orbán; no outro, foi acusado de violência doméstica por sua ex-esposa, a ex-ministra da Justiça Judit Varga.

Ainda em 2026, Magyar — que Budapeste denunciou repetidamente por receber apoio financeiro de algumas capitais da União Europeia e do regime de Kiev — foi eleito para o Parlamento Europeu, juntamente com outros seis eurodeputados do Tisza. 

*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.