O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, discursou para seus apoiadores neste domingo (12), após a divulgação dos primeiros resultados das eleições parlamentares do país, nas quais seu partido foi derrotado.
"O resultado das eleições, embora ainda não seja definitivo, é compreensível e claro. É doloroso. Não nos foi concedida a responsabilidade nem a oportunidade de governar", declarou o mandatário húngaro, acrescentando que felicitou o partido vencedor.
Orbán prometeu que o seu partido, o Fidesz, continuará servindo a Hungria na oposição.
"Nunca nos renderemos. Nunca, nunca!", insistiu.
O premiê também enfatizou que seu partido conseguiu "reunir dois milhões e meio de eleitores", um número que nunca haviam alcançado antes.
"Nunca antes fomos tantos, e nunca antes trabalhamos tanto em uma campanha eleitoral. O resultado também é claro: dois milhões e meio de pessoas confiam em nós hoje", afirmou.
Segundo a primeira contagem, a aliança Fidesz-KNDP conquistou 54 cadeiras, enquanto o Tisza, liderado por Péter Magyar, garantiu 138. O Escritório Nacional Eleitoral da Hungria informou que 77,8% dos eleitores registrados, ou mais de 5,8 milhões, votaram nas eleições deste domingo, um recorde para o país.
Posições diferentes
As posições de Orbán e Magyar divergem radicalmente em muitas questões. Por exemplo, Orbán apoia o fim do conflito ucraniano e defende as negociações de paz, enquanto o líder da oposição partilha da posição da União Europeia sobre a necessidade de continuar a ação militar e fornecer apoio militar a Kiev.
Orbán está no poder desde 2010. Seu partido, o Fidesz, e seus parceiros democratas-cristãos ocupavam 135 das 199 cadeiras na Assembleia Nacional. Ele é conhecido por seu conservadorismo, que levou a confrontos com a UE devido à sua recusa em aceitar solicitantes de asilo não europeus e à sua proibição de propaganda LGBT*.
Ele também está associado a um programa de nacionalismo econômico chamado 'Orbanomics' e às suas críticas ao apoio financeiro e militar da UE à Ucrânia.
Assim, Orbán bloqueou várias rodadas de sanções contra a Rússia e só cedeu após obter isenções que permitiram à Hungria continuar comprando energia russa. Além disso, Budapeste vetou um pacote de empréstimo da UE de € 90 bilhões, financiado por meio de dívida, para Kiev.
Péter Magyar, ex-membro do partido governista da Hungria, renunciou em 2024 e ingressou no Tisza, partido que se manteve marginalizado desde sua fundação, quatro anos antes. Nesse período, Magyar esteve envolvido em dois processos judiciais. Em um deles, testemunhou sobre suposta corrupção no governo Orbán; no outro, foi acusado de violência doméstica por sua ex-esposa, a ex-ministra da Justiça Judit Varga.
Ainda em 2026, Magyar — que Budapeste denunciou repetidamente por receber apoio financeiro de algumas capitais da União Europeia e do regime de Kiev — foi eleito para o Parlamento Europeu, juntamente com outros seis eurodeputados do Tisza.
*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.