
'Obcecado pela guerra': Espanha endurece discurso em nova troca de farpas com Israel

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, acusou o governo de Israel de seguir "obcecado por uma guerra que não é boa para ninguém", após o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que ele classificou como "muito frági" e ainda sob risco.

Em entrevista ao elDiario.es, Albares afirmou que há "muitas pessoas interessadas não apenas em impedir que essas negociações em Islamabad avancem, mas até em evitar que elas sequer aconteçam", em referência ao processo diplomático entre Teerã e Washington, que terminou na madrugada de domingo (12) sem acordo.
Questionado se se referia ao governo de Benjamin Netanyahu, o chanceler disse que, no momento em que "o mundo respirava aliviado" com o cessar-fogo, "o governo de Israel seguia claramente obcecado por uma guerra que não é boa para ninguém".
Albares também alertou para a fragilidade da trégua. "Estamos vendo isso com os ataques de Israel ao Líbano", afirmou. Ele disse ainda que, pela experiência em negociações, "duas semanas é muito pouco tempo", mas reforçou que "é preciso apostar tudo na paz".
Escalada na relação com Israel
A Espanha foi um dos primeiros países europeus a acusar Israel de cometer "genocídio" na Faixa de Gaza. Desde então, o governo espanhol tem adotado uma postura crítica em relação à ofensiva israelense, defendendo a necessidade de um cessar-fogo e condenando ações militares que considera crimes de guera.
Na última quarta-feira (8), o primeiro-ministro Pedro Sánchez condenou o ataque israelense ao Líbano e classificou como "intolerável" o "desprezo pela vida e pelo direito internacional" por parte do governo de Benjamin Netanyahu.
O primeiro-ministro de Israel afirmou na rede X que a Espanha havia "difamado" seus "heróis", em referência aos soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF), e advertiu que "o Estado de Israel não ficará em silêncio" diante de quem, segundo ele, ataca o país.
Além disso, o Ministério das Relações Exteriores de Israel condenou a queima de um boneco representando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu durante as celebrações de Páscoa no último domingo, em El Burgo, na província de Málaga. O governo israelense afirmou ainda que o "ódio antissemita repugnante" seria resultado de uma "incitação sistemática" por parte do governo de Pedro Sánchez.
The appalling antisemitic hatred on display here is a direct result of @sanchezcastejon government’s systemic incitement.And even now, the Spanish government remains silent.The Spanish chargé d’affaires was summoned for a reprimand. pic.twitter.com/2Bguhs7Ce8
— Israel Foreign Ministry (@IsraelMFA) April 11, 2026
Ele acrescentou que o governo espanhol "permanece em silêncio" diante desses fatos e afirmou ainda que a encarregada de negócios da Espanha em Israel, Francisca María Pedrós Carretero, foi convocada ao Ministério das Relações Exteriores para esclarecer a situação.

