
Nove presidentes em dez anos: Peru vai às urnas em eleição fragmentada

O Peru realiza neste domingo (12) eleições gerais com 35 candidatos disputando a presidência. O vencedor será o nono presidente do país em uma década, em um pleito no qual nenhum candidato ultrapassa 20% das intenções de voto e o segundo turno, agendado para 7 de junho, é considerado inevitável.
Cerca de 27 milhões de eleitores aptos elegem ainda 60 senadores, 130 deputados e cinco representantes ao Parlamento Andino, como noticiado pela mídia peruana RPP.

Liderando as intenções de voto com cerca de 15%, Keiko Fujimori concorre a presidência para quarta vez, pelo partido Fuerza Popular. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000, a candidata prometeu expulsar imigrantes irregulares, criar um corredor humanitário para venezuelanos retornarem ao seu país e estreitar laços com o governo Donald Trump nos Estados Unidos.
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Entre os demais candidatos com chances reais, sobressaem o humorista Carlos Álvarez (2º colocado com 8%) concorrendo pelo partido de centro-direita País para Todos, o prefeito de Lima Rafael López Aliaga, pelo partido conservador Renovación Popular, e o congressista Roberto Sánchez, pelo partido de esquerda Juntos por el Perú.
O pleito ocorre com um candidato a menos do que o originalmente previsto, após a morte do postulante Napoleón Becerra em um acidente de trânsito, em 15 de março.
Instabilidade política
O pleito se desenrola sob governo interino de passagem sob comando de José María Balcázar, presidente do Congresso, que protagonizou polêmicas em face de declarações antigas, em defesa do casamento infantil e relações sexuais precoces. Balcázar permanecerá no cargo até 28 de julho, data de posse do presidente eleito.
Ele assumiu a presidência em fevereiro após a destituição do anterior presidente interino, José Jerí, por suspeita de tráfico de influência. Jerí é acusado de se encontrar secretamente com um empresário chinês do setor de infraestrutura, episódio que ficou batizado de "Chifagate". Jerí, por sua vez, assumiu após a destituição da presidente Dina Boluarte, que deixou o cargo com um índice de popularidade inferior a 3%, em meio a acusações de corrupção enquanto vice-presidente da chapa de Pedro Castillo — que sofreu impeachment após uma tentativa de golpe de Estado em dezembro de 2022.
Desde 2016, seis presidentes foram depostos no país, a uma média de uma queda a cada 1 ano e 8 meses, de acordo com o levantamento do jornal Poder360. O último presidente a concluir seu mandato regularmente no Peru foi Ollanta Humala, em julho de 2016.

