Os principais desacordos nas negociações entre Irã e Estados Unidos giraram em torno das exigências para que Teerã abrisse mão do controle do estreito de Ormuz e de suas reservas de urânio enriquecido, informou o Axios, neste domingo (12), citando uma fonte familiarizada com o tema.
O The New York Times, citando autoridades iranianas a par das negociações, relata que, nas primeiras horas de domingo, ainda havia três pontos principais de divergência:
- A reabertura do estreito de Ormuz
Os Estados Unidos exigiam que o Irã reabrisse imediatamente a passagem marítima, por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializados no mundo. Teerã, no entanto, recusou a exigência e afirmou que só faria isso após a assinatura de um acordo de paz definitivo, disseram autoridades envolvidas nas negociações.
- O destino do urânio enriquecido do Irã
Outro foco de desacordo foi a exigência do presidente Donald Trump para que o Irã entregue ou venda todo o seu estoque de urânio enriquecido. Teerã apresentou uma contraproposta, já que sempre defendeu seu direito de desenvolver um programa nuclear pacífico. Ainda assim, segundo as mesmas fontes, as partes não conseguiram chegar a um consenso.
- A exigência do Irã para liberação de cerca de 27 bilhões de dólares em recursos congelados no exterior
O Irã também pediu reparações pelos danos causados por seis semanas de bombardeios aéreos e exigiu o desbloqueio de suas receitas petrolíferas retidas no Iraque, Luxemburgo, Bahrein, Japão, Catar, Turquia e Alemanha, com o objetivo de financiar a reconstrução. Washington rejeitou ambos os pedidos.
- O que dizem Washington e Teerã?
Após as negociações realizadas neste fim de semana na capital do Paquistão, Islamabad, o Irã acusou a delegação americana de fazer declarações falsas e apresentar exigências excessivas.
« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que, durante as negociações, foram discutidos diversos pontos cruciais, incluindo o estreito de Ormuz, a questão nuclear, reparações de guerra, o levantamento das sanções e "o fim definitivo da guerra contra o Irã e a região". No entanto, segundo ele, não foi possível chegar a um acordo devido às divergências entre as partes.
"Em uma série de questões chegamos a um entendimento, mas em dois ou três temas importantes as posições ainda estavam distantes e, ao final, as conversas não levaram a um acordo", disse.
O porta-voz também destacou "a complexidade dos temas e das condições". "Nessas negociações surgiram alguns novos assuntos, como a questão do estreito de Ormuz, e cada um deles tem sua própria complexidade", afirmou.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, por sua vez, declarou no domingo (12) que a parte iraniana "não aceitou" as condições de Washington. Segundo ele, os negociadores americanos deixaram claras suas exigências.
"Deixamos bem claro quais são nossas linhas vermelhas, o que estamos dispostos a ceder e o que não estamos. E fomos o mais claros possível, e eles optaram por não aceitar nossos termos", acrescentou.