As eleições presidenciais ocorrem no Benim neste domingo (12), marcando o primeiro pleito desde a tentativa de golpe de Estado de dezembro do ano passado, informou o jornal beninense La Nation.
O grande favorito é Romuald Wadagni, de 49 anos, ministro das Finanças e escolha da coalizão governista, endossado pelo atual presidente Patrice Talon, com quem diz nutrir uma relação de "pai e filho".
Wadagni enfrenta um único adversário, Paul Hounkpè, do partido Forças Cauris para um Benim Emergente (FCBE). O principal partido oposicionista, os Democratas, está fora da disputa após o desfalque das eleições parlamentares de janeiro de 2026, quando não atingiram a cláusula de 20% dos votos para conseguir cadeiras na Assembleia Nacional.
Integrantes do partido Democratas denunciaram irregularidades no processo eleitoral de janeiro, como abertura tardia de seções eleitorais e impedimento de fiscais durante a apuração.
Talon encerra dois mandatos de cinco anos sem possibilidade de reeleição, deixando um legado de crescimento econômico consistente — o PIB avançou 7% em 2025, segundo o FMI — e críticas de estreitamento de instituições democráticas.
A segurança nas zonas fronteiriças foi um tópico central de campanha, denotando o enfrentamento da segurança nacional com grupos militantes estrangeiros nos Estados vizinhos. O grupo jihadista JNIM, filiado à al-Qaeda, matou 15 soldados num ataque a uma base próxima à fronteira com o Níger em março, refletindo a escalada de violência que motivou o golpe fracassado.
A chapa de Wadagni reivindicou avanços já alcançados, como centenas de novos postos policiais, recrutamentos em massa e um sistema de videovigilância costeira que teria eliminado a pirataria marítima, prometendo aprofundá-los com drones, veículos blindados e um programa de engajamento cívico. Já a chapa oposicionista de Hounkpè, enfatizando a política do atual governo como deficiente na área, comprometeu-se a modernizar os equipamentos das forças policiais e restaurar relações com países vizinhos para enfrentar o terrorismo de forma coordenada.
Tensões internas e regionais
Em 7 de dezembro de 2025, um grupo de militares tomou a emissora estatal do Benim e anunciou a deposição do presidente Talon, listando como justificativas a deterioração da segurança no norte e insatisfação com a gestão do país.
A pedido do governo beninense, o presidente nigeriano Bola Tinubu ordenou ataques aéreos contra posições dos golpistas e enviou tropas a Cotonou sob o guarda-chuva da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que mantém uma força de prontidão para esse tipo de contingência.
Para o bloco, a intervenção representou uma resposta firme e bem-sucedida ao golpe e um recado direto a potenciais conspiradores militares — em uma região marcada por relações diplomáticas tensas com os vizinhos Burkina Faso, Mali e Níger, governados por coalizões militares e membros da Aliança dos Estados do Sahel (AES), pacto de defesa mútua regional nascido de uma cisão da CEDEAO.