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Chancelaria do Irã explica por que não houve acordo com os EUA

"Ninguém tinha essa expectativa", afirmou o porta-voz do ministério
Chancelaria do Irã explica por que não houve acordo com os EUAPhoto by Muhammad Reza/Anadolu via Getty Images / Gettyimages.ru

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou neste domingo (12) que as diferenças de posição impediram um acordo com os Estados Unidos nas conversas realizadas no Paquistão no sábado (11).

Segundo ele, houve avanços em parte dos temas discutidos, mas divergências em pontos considerados centrais acabaram travando o entendimento.

"Em uma série de questões chegamos a um entendimento, mas em dois ou três temas importantes as posições continuavam distantes e, no fim, as negociações não levaram a um acordo”, declarou Baghaei.

O porta-voz também destacou a complexidade das pautas e das condições envolvidas no diálogo. Ele afirmou que novos assuntos foram incluídos nas discussões, como a questão do Estreito de Ormuz, cada um com suas próprias dificuldades.

Nesse contexto, Baghaei ressaltou ainda que as conversas ocorreram após 40 dias de uma "guerra imposta" e em um ambiente marcado por desconfiança. "Era natural que não se esperasse, desde o início, um acordo em uma única sessão. Ninguém tinha essa expectativa", disse.

Por fim, ele reforçou que a diplomacia iraniana seguirá defendendo os interesses do país. "Em qualquer circunstância, nós, no aparato diplomático, devemos defender os direitos e os interesses do povo iraniano", concluiu.

  • As negociações, nas quais o Paquistão atua como mediador, ocorrem em um contexto de incerteza decorrente da desconfiança mútua e de demandas não atendidas.
  • Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe da delegação iraniana, declarou ao chegar a Islamabad na sexta-feira que, embora tenham "boas intenções", desconfiam de Washington. "Nossa experiência em negociações com os americanos sempre foi marcada por fracassos e descumprimento", enfatizou.
  • Por sua vez, Vance, que lidera a equipe de negociação de seu país, declarou antes de partir para a capital paquistanesa que "se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa fé", eles "sem dúvida" estarão "dispostos a estender a mão". No entanto, ele alertou que, se Teerã tentar "enganá-los", "eles perceberão que a equipe de negociação não será tão receptiva".
  • Entre os principais temas que estarão em discussão estão  o programa de enriquecimento de urânio  e de mísseis balísticos do Irã, bem como a reabertura completa do Estreito de Ormuz.
  • Por sua vez, Teerã busca uma garantia dos EUA de um fim mais duradouro às hostilidades.