
Vance afirma que nenhum acordo foi alcançado nas negociações com o Irã

As negociações entre as delegações dos Estados Unidos e do Irã terminaram neste sábado (11) sem que as partes chegassem a um acordo, afirmou o vice-presidente norte-americano James D. Vance.
"A má notícia é que não chegamos a um acordo. E acho que isso é uma notícia muito pior para o Irã do que para os Estados Unidos. Portanto, estamos retornando aos Estados Unidos sem termos chegado a um acordo, mas deixamos nossas linhas vermelhas muito claras", disse o Vance a repórteres após liderar a delegação de seu país nas negociações com o lado iraniano realizadas em Islamabad, no Paquistão.

"Deixamos bem claro quais são nossas linhas vermelhas, o que estamos dispostos a ceder e o que não estamos. E fomos o mais claros possível, e eles optaram por não aceitar nossos termos", acrescentou.
Questionado sobre quais pontos o Irã havia rejeitado, Vance indicou que não entraria em detalhes porque não queria "negociar em público", mas insistiu que os EUA buscam um compromisso explícito sobre a questão das armas nucleares.
"O fato é que precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão desenvolver uma arma nuclear e que não buscarão os meios que lhes permitiriam adquiri-la rapidamente", disse.
O vice-presidente também indicou que outras questões foram abordadas nas negociações, incluindo os ativos iranianos congelados.
"Discutimos todos esses tópicos e várias outras questões além dessas. E, claro, esses assuntos surgiram", disse ele, acrescentando, porém, que não se chegou a um ponto em que o Irã aceitaria os termos norte-americanos.
Vance afirmou também que a equipe de negociação manteve contato com o presidente Donald Trump durante todo o processo e que ele está deixando Islamabad com uma proposta final.
"Estivemos em constante comunicação com o presidente", disse ele. "Não sei quantas vezes falamos com ele — meia dúzia, uma dúzia de vezes nas últimas 21 horas", acrescentou. "Saímos daqui com uma proposta muito simples. Pelo que entendemos, esta é a nossa oferta final e melhor", afirmou. "Veremos se os iranianos a aceitam", concluiu.
Anteriormente, agências de notícias iranianas informaram que as negociações entre os dois lados seriam prorrogadas por mais um dia e continuariam no domingo (12). Segundo a agência iraniana Tasnim, a decisão foi tomada por sugestão do lado paquistanês e aceita por ambas as delegações.
A publicação atribuiu a prorrogação ao que descreveu como "exigências irracionais" do lado norte-americano e à insistência da delegação iraniana em "preservar os interesses nacionais".
- As negociações, nas quais o Paquistão atua como mediador, ocorrem em um contexto de incerteza decorrente da desconfiança mútua e de demandas não atendidas.
- Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe da delegação iraniana, declarou ao chegar a Islamabad na sexta-feira que, embora tenham "boas intenções", desconfiam de Washington. "Nossa experiência em negociações com os americanos sempre foi marcada por fracassos e descumprimento", enfatizou.
- Por sua vez, Vance, que lidera a equipe de negociação de seu país, declarou antes de partir para a capital paquistanesa que "se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa fé", eles "sem dúvida" estarão "dispostos a estender a mão". No entanto, ele alertou que, se Teerã tentar "enganá-los", "eles perceberão que a equipe de negociação não será tão receptiva".
- Entre os principais temas que estarão em discussão estão o programa de enriquecimento de urânio e de mísseis balísticos do Irã, bem como a reabertura completa do Estreito de Ormuz.
- Por sua vez, Teerã busca uma garantia dos EUA de um fim mais duradouro às hostilidades.


