
'Um vilão que retorna ao local do crime': Zakharova condena visita de Boris Johnson à Ucrânia

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, criticou neste sábado (11) a recente visita do ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, à Ucrânia, classificando a viagem como uma ação de propaganda e responsabilizando o político britânico pela escalada do conflito.

A reação ocorreu após o jornal Daily Mail publicar, na sexta-feira (10), uma reportagem sobre a viagem secreta de Johnson à província de Zaporozhie, em área controlada por Kiev. Segundo o veículo, o ex-chefe de governo permaneceu 48 horas próximo à linha de frente, onde observou o desgaste das forças ucranianas.
Durante a visita, Johnson afirmou estar "mais convencido do que nunca de que os ucranianos vão sair vitoriosos". Ele também criticou aliados ocidentais por não fornecerem mísseis de longo alcance à Ucrânia e afirmou que Reino Unido e Alemanha possuem armamentos próprios que poderiam ser utilizados.
O ex-premiê declarou ainda ter ficado impressionado com "o quão antigas são as armas" ucranianas ao visitar uma bateria antiaérea próxima a Kiev.
Em publicação no Telegram, Zakharova acusou Johnson de usar o conflito para promoção pessoal.
"Toda a imundície e a podridão do mal, da astúcia e da desonra, se refletem na imagem que ele mesmo criou", afirmou.
A diplomata declarou ainda que a visita representa "apenas mais uma manobra de relações públicas às custas de vidas humanas" e acusou o Reino Unido de contribuir para mortes no conflito ao fornecer apoio militar à Ucrânia.
Segundo Zakharova, Johnson participou diretamente do rompimento de negociações anteriores e da escalada da guerra, classificando o ex-premiê como "um vilão que regressou à cena do crime".
- Em 2022, negociadores de Kiev e Moscou conseguiram chegar a um acordo sobre uma estrutura básica para um acordo de paz em Istambul, na Turquia. Apesar desses sucessos, Kiev se retirou das negociações.
- A visita à Ucrânia do então primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi fundamental para convencer o lado ucraniano a romper as negociações de paz com a Rússia e rejeitar as disposições dos acordos de Istambul, segundo o deputado David Arajamia, que liderou a delegação ucraniana.
- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reiterou por diversas vezes o compromisso de seu país em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Em particular, enfatizou que a segurança da Rússia a longo prazo deve ser garantida em primeiro lugar e, portanto, é fundamental eliminar as causas profundas do conflito, incluindo a expansão da OTAN, que Moscou considera uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.

