
Reino Unido suspende devolução de ilhas próximas a Diego Garcia por desaprovação de Trump

O governo britânico foi obrigado a retirar de pauta o projeto de lei que previa a transferência de soberania das Ilhas Chagos a Maurício, anunciaram neste sábado (11) representantes de Downing Street, segundo informações do jornal britânico The Guardian.

O encerramento da sessão parlamentar em curso, previsto para as próximas semanas, inviabilizou a aprovação da legislação a tempo. O recuo é reflexo do relacionamento deteriorado entre as autoridades do Reino Unido e dos EUA, expresso após as críticas de Donald Trump ao premier Keir Starmer pela condução da guerra contra o Irã.
Pelo acordo firmado em maio de 2025, o Reino Unido cederia a soberania do arquipélago e arrendaria por 99 anos a maior ilha, Diego Garcia, sede de uma base militar conjunta anglo-americana, garantindo a continuidade das operações militares no local.
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Um porta-voz do governo britânico reafirmou que o pacto "continua sendo a melhor forma de proteger o futuro da base a longo prazo", mas condicionou seu avanço ao respaldo dos EUA. O governo americano não chegou a trocar as cartas necessárias para emendas ao tratado bilateral de 1966 sobre as ilhas, nunca formalizando o entendimento.
O Maurício, por sua vez, prometeu não desistir. O ministro das Relações Exteriores mauriciano, Dhananjay Ramful, declarou que o país não poupará esforços para "completar o processo de descolonização".
Contrariedade
Em fevereiro, o jornal britânico noticiou que Trump mudou de posição ao saber que o primeiro-ministro Kier Starmer se recusava a autorizar o uso de suas bases para um ataque preventivo dos EUA contra o Irã. Seu governo manteve a posição em declarações recentes, reiterando na terça-feira (7) que instalações como Diego Garcia e RAF Fairford (localizada no território inglês) só poderiam ser utilizadas para missões de caráter defensivo, como o ataque a silos de mísseis e depósitos militares iranianos, vedando alvos de infraestrutura civil.
O peso estratégico da base ganhou nova dimensão em março, quando o Irã lançou dois mísseis balísticos de médio alcance contra Diego Garcia, a mais de 4 mil quilômetros de seu território — um alcance muito superior ao que se supunha.
Nenhum dos projéteis atingiu o alvo, mas o episódio escancarou a vulnerabilidade da base e recalibrou expectativas de líderes ocidentais em relação às capacidades militares do Irã.

