A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) lançou na sexta-feira (10) um anúncio de recrutamento voltado a jogadores de videogame, anunciando contratações para o cargo de controlador de tráfego aéreo.
"Você já estava treinando para isso… torne-se um controlador de tráfego aéreo. Não é um game. É uma carreira", indica a publicidade, anunciada sob o lema "Suba de nível na sua carreira".
A iniciativa indica apostar em competências de raciocínio ágil, multitarefa, consciência espacial e solução de problemas sob pressão, que a agência identifica como interseções entre o universo gamer e os critérios para o trabalho no setor.
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, justificou a estratégia afirmando que ela alcança "uma demografia crescente de jovens adultos" que já possui muitas das habilidades exigidas pela profissão.
A agência conta atualmente com quase 11 mil controladores em serviço, aquém da meta de 14,5 mil para operar com plena capacidade, segundo dados da mídia americana ABC News. Desde setembro de 2024, o quadro cresceu em apenas 300 profissionais certificados, refletindo altas taxas de abandono, repercussões da pandemia e sucessivos bloqueiosorçamentários durante o governo Trump.
O contexto institucional que empurrou a FAA a medidas criativas é turbulento. Em novembro de 2025, o secretário Duffy já havia anunciado restrições operacionais em 40 aeroportos, com redução de 10% na capacidade aérea, em resposta ao mais longo shutdown da história americana. Cerca de 13 mil controladores chegaram a trabalhar sem remuneração naquele período.
A crise se aprofundou ao longo de 2026, quando o governo demitiu centenas de funcionários da FAA, sem avaliação de impacto à segurança, por meio do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) — cujo lançamento foi capitaneado e dirigido por Elon Musk, no início do segundo mandato de Trump. O governo americano, em março, enviou agentes da Secretaria de Imigração (ICE) aos aeroportos para suprir a escassez de fiscais, operando também sem salário.